Antes de Felipe Reis Castalgine, 10, iniciar as sessões de terapia ocupacional, fonoaudiologia e musicoterapia na Caminhar, ter o único filho matriculado na entidade era um desejo da dona de casa Giane dos Reis Castalgine, 33. A mãe esperou alguns meses na fila até conseguir a vaga e já comemora resultados dos três meses de acompanhamento profissional. "Desde que está na Caminhar, Felipe ficou mais ocupado. Antes, ficava muito tempo ocioso. Sonhava em ver meu filho na Caminhar. Sinto que hoje ele está mais alegre e comunicativo", disse ela.
Desde pequeno, Felipe sofre com a falta de equilíbrio do corpo, dificuldades para andar e aprender na escola. Ele anda apoiado nas pessoas ou em cadeira de rodas. "A ajuda da Caminhar é muito boa." Na quarta-feira pela manhã, ele aprendeu com a terapeuta ocupacional Elisa Ferrari a reconhecer a textura de objetos. "Ele está com sensibilidade alterada e não percebe a diferença de macio, áspero ou liso. Estou ensinando para ele usando lãs, algodão, colas", disse Elisa. Depois, o garoto ouviu Rionegro e Solimões - sua dupla preferida - e tocou violão durante a sessão de musicoterapia.
A próxima conquista de Giane será rematricular o filho na escola. Ele começou a fazer a primeira série, mas teve de interromper os estudos. Após cirurgia para corrigir os pés que nasceram virados, Felipe perdeu um ano e meio da escola. "Ele voltará a estudar, mas acho que será mais fácil com a Caminhar, pois ele tem dificuldades de aprender e não acompanha o ritmo das outras crianças", disse a mãe.
Os primos Marcelo Ferraro Júnior, 12, e Luís Gustavo Ferraro Malta, 6, e suas famílias também estão entre os 120 pacientes da Caminhar. O mais velho nasceu com uma mancha no cérebro e o outro tem dificuldades de aprendizagem e troca algumas letras na hora de falar. "Eles estão melhorando a cada dia. Sem esse atendimento, não estariam tão bem como estão", disse a dona de casa Dinalva Ferraro, 59, avó dos pacientes, responsável por levá-los para o acompanhamento.
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