Uma década de atendimentos a pessoas com deficiências. Essa é a marca alcançada neste ano pela Caminhar Associação das Famílias, Pessoas e Portadores Paralisia Cerebral. Com objetivo de incluir crianças com paralisia cerebral e dificuldades de aprendizado com estudantes de escolas públicas, a entidade conta com 12 funcionários voluntários e com a ajuda da Prefeitura para atender 120 pessoas de Franca e região. O atendimento, voltado para pessoas entre 4 meses e 40 anos de idade, é totalmente gratuito.
Os pacientes têm sessões de pedagogia para serem estimulados e receberem reforço na alfabetização; de fisioterapia para ganharem noção de espaço, distância, e alongar as partes do corpo que estão lesadas; de fonoaudiologia para trabalhar as comunicações oral e escrita e terapia ocupacional para alcançarem independência no dia-a-dia. "Ensinamos escovação dos dentes, alimentação e artesanato. Alguns de nossos alunos já transformaram o tear como fonte de renda. Buscamos a inserção em casa, na escola e na comunidade", disse a terapeuta ocupacional Elisa Ferrari.
Há também sessões de musicoterapia, feita através do som de músicas, violões, pandeiros, tambores e outros instrumentos. "Este trabalho ajuda a melhorar a auto-estima dos pacientes. A musicoterapia é uma verdadeira parceira das outras terapias, pois deixa a criança estimulada a fazer outras coisas", disse Alcione de Oliveira, musicoterapeuta.
O trabalho da Caminhar não fica restrito aos pacientes. Os pais também fazem reuniões com a psicóloga para falar sobre dificuldades em lidar com a deficiência, limitações e responsabilidades. A manutenção do projeto custa mais de R$ 10 mil por mês. Os recursos são provenientes de promoções, subvenção municipal e ajuda de sócios-contribuintes. Para ajudar, as pessoas podem entrar em contato com a associação e solicitar o desconto de R$ 5 mensais na conta telefônica. O débito automático é possível graças a uma parceria com a CTBC.
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Elizabete Salloum, uma das fundadoras e atual presidente da Caminhar, comemora os dez anos de história da associação, número que considera uma vitória. "Uma entidade completar uma década não é fácil. O trabalho é resultado de uma luta árdua, mas acho que hoje colhemos os frutos desse esforço. Graças a Deus, contamos com a população de Franca, que é muito solidária, com profissionais dedicados, com os pais, que são muito importantes para nós e apoio do poder público e deputados", disse ela, mãe de um jovem de 24 anos com deficiência que está entre os atendidos com terapia ocupacional, fono, fisio e musicoterapia na Caminhar.
A próxima batalha da associação é construir sede própria ainda em 2007. O projeto está pronto e a área onde será executada a obra está em estudo pela Prefeitura. Há 15 pessoas na fila à espera de uma vaga. "Precisamos de um espaço maior para atender mais. Hoje, a casa em que estamos é uma maravilha em vista dos locais onde já trabalhamos. Mas precisamos de uma sede mais adequada e que atenda às normas exigidas de entidades que lidam com deficientes. Temos que aguardar retorno da Prefeitura", disse a presidente. Alguns recursos já estão reservados para a construção.
A dona de casa Cleunice Abadia Alves, 38, é uma das que agradecem o apoio dispensado ao seu filho pelos profissionais da entidade. Há um ano, Maik Alves, 13, tem acompanhamento com fonoaudiologia, fisioterapeuta e pedagoga duas vezes por semana.
O jovem nasceu com água no cérebro, não anda nem fala. "Meu filho melhorou muito, em todos os sentidos. Hoje, quando ele pronuncia algumas coisas eu já consigo entender. É muito bom ver a evolução dele", disse a mãe.
CONTATO
Interessados no trabalho da Caminhar devem entrar em contato por telefone e agendar entrevista com assistente social para diagnosticar se a pessoa precisa de atendimento e qual tipo. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas e o telefone (16) 3721-7033. O endereço é Rua Cavalheiro Ângelo Presotto, 419, Bairro São José.
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