Acusados se calam; Secretário deve ser afastado


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Nada a declarar. Quatro dos seis implicados no “Escândalo dos Bagres” - como ficou conhecida a denúncia de superfaturamento das obras de contenção de enchentes no Córrego dos Bagres - preferiram o silêncio e se recusaram a comentar as denúncias da Promotoria divulgadas ontem pelo Comércio. Um dia após a divulgação da ação civil pública que aponta graves irregularidades nos processos de licitação, os engenheiros Taísa Cintra Chagas Franceschi e José Eduardo Corrêa, da iniciativa privada, Caetano Paulo Perobelli, chefe da Copel (Comissão Permanente de Licitação) e Marco Antônio Franceschi, engenheiro da Prefeitura (e marido de Taísa), preferiram o silêncio. Taísa Cintra, proprietária da Betontest Engenharia, limitou-se a informar que contratou um advogado - Eduardo Berbel - para falar em seu nome. "Não dou entrevistas. Não vou dizer nada. Ele (o advogado) é quem vai se pronunciar". Taísa disse que ele dará esclarecimentos, mas não agora. "No momento certo vamos nos mostrar, vamos procurar a imprensa". Questionada se seu marido, o engenheiro da Prefeitura Marco Antônio Franceschi, também implicado na ação, utilizará os serviços do mesmo advogado, ela desconversou. "Não falo por outra pessoa, só falo por mim". Nas ligações feitas para a Prefeitura, onde deveria dar expediente, Marco Antônio também não foi encontrado. Caetano Perobelli foi encontrado, mas também não quis falar. Quatro ligações foram feitas para a Prefeitura. Em três delas, atendentes disseram que ele estava ao telefone ou não estava na sala. Na última tentativa de ouvi-lo, Perobelli pediu à secretária identificada por Alcita que avisasse que ele não atenderia ao jornal. José Eduardo Corrêa, engenheiro, representante legal da empresa FFC Engenharia, também teve chances de se explicar. A reportagem ligou seis vezes para seu escritório, durante toda a tarde, mas a secretária informou que ele não estava. Outras três ligações foram feitas para a casa do engenheiro. Familiares disseram que ele chegaria tarde em casa por conta de uma reunião programada para a noite. Até o fechamento da edição, às 1h30, José Eduardo não retornou às ligações. Apenas Wilson Teixeira, apontado como o líder do grupo acusado de tentar desviar mais de R$ 1 milhão dos cofres públicos, e Virgínio Reis - os outros dois indiciados - foram encontrados e aceitaram dar suas versões para o caso. CORDA BAMBA Em um dia de intensas movimentações no paço municipal, o prefeito Sidnei Rocha reagiu à denúncia do Ministério Público. Oficialmente, ele afirma que deve esperar o fim da sindicância administrativa aberta por ele para decidir o que fazer. "Depois de analisar os relatórios, tomarei as providências cabíveis. Uma coisa é denunciar, outra é decidir. Eu estou na posição de juiz", disse. Extra-oficialmente, porém, fontes ligadas ao gabinete afirmam que hoje é o “dia D” para a definição da permanência dos funcionários envolvidos. Segundo a fonte, Sidnei espera que os envolvidos no caso peçam licença de seus cargos. Se nenhum deles anunciar que se afasta de suas funções durante a investigação, o próprio prefeito deve tomar a medida. A fonte, que pediu anonimato, afirma que o mais ameaçado é o secretário Wilson Teixeira. O prefeito Sidnei Rocha estaria esperando uma decisão rápida para evitar desgastes ainda maiores e a paralisia do governo. Como é funcionário de carreira, a opção estudada pelo tucano é o afastamento até que as apurações sobre o caso sejam finalizadas. Demissão, só após o fim das investigações. Colaborou Renata Modesto

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