Engenheiro nega envolvimento: ‘estou no olho do furacão, sou a bola da vez’


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"Me sinto no olho do furacão, como a bola da vez. Se me usaram, quero saber quem usou, de onde veio isso". Essas foram as palavras do engenheiro Virgínio Henrique Vieira Reis, acusado de pertencer ao bando dos Bagres - grupo acusado de fraudar licitações para superfaturar as obras de contenção às enchentes no Córrego dos Bagres em R$ 1,2 milhão. Embora afirme, timidamente, que se considera um "laranja" na história, ele se esquivou em apontar possíveis responsáveis. "Eu acredito que fui implicado nessa história por uma falha da Prefeitura. Por isso institui um advogado para me defender disso ai. Não sei de onde veio a ordem, mas não tive nada a ver com o que estão falando". Com um advogado ao lado e aparentando certo nervosismo, Reis confirmou ontem, em entrevista ao Comércio, que foi convidado pelo secretário de Planejamento, Wilson Teixeira, para elaborar o projeto técnico da obra. Segundo Reis, o convite foi feito pessoalmente por Teixeira, no gabinete. "Eu fui convidado pelo secretário de Planejamento, doutor Wilson, para participar do projeto de canalização da junção dos Córregos. Ele me ligou, eu estive no gabinete, acertamos os detalhes e ele disse: `você quer trabalhar nos Córregos?`". Ele negou, contudo, que tivesse participado de acertos nos valores da licitação com a empresa FFC Engenharia ou mesmo que tivesse informações privilegiadas sobre a licitação, conforme sugere a ação do MP. "Como eu sou autônomo, a dificuldade é a emissão de nota. Foi onde eu procurei a Betontest. Não achei nada que pudesse ir de desencontro a esse pedido (de Wilson Teixeira). Também não tive contato com ninguém da FFC Engenharia nem sei de nenhuma combinação de preço. Se há algum problema, aconteceu na Prefeitura e eu não tive acesso a nada". Já o promotor Paulo Borges, contudo, tem outra percepção. "Ele fez os projetos, é engenheiro e aparece como amigo dos envolvidos. Os indícios de conluio, ou seja, que ele teve participação efetiva no caso, são grandes". Sobre o projeto técnico, Reis confirmou, ainda, que o valor acertado pela sua participação no projeto seria de 60% dos R$ 39,8 mil que a Prefeitura pagaria pelo serviço. "A porcentagem acertada foi 60% para mim e 40% para a Betontest. Eu faria o estudo hidráulico e eles, o resto". Segundo Virgínio, apenas uma quarta parte desse valor foi paga. O restante teria sido cancelado quando as irregularidades foram detectadas. MP Através de seu advogado, Eduardo Berbel, Virgínio Reis fez severas críticas ao promotor Paulo Borges, responsável pela ação (leia mais no texto ao lado). "O promotor foi imprudente e não fez Justiça. Já ingressamos com uma ação preparatória e solicitaremos que ele repare os danos morais causados aos meus clientes", afirmou Berbel, que também é advogado de Taísa Franceschi, outra envolvida no caso.

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