Por duas horas e meia, Sunchales parou. Entre 21 horas, quando os portões do Ginásio Los Tigres foi aberto para a final da Liga Sul-Americana contra o Unimed/Franca, e às 23h30, quando terminou a comemoração em quadra, a cidade ficou deserta. Pouco depois, o pequeno município se agigantou em uma comemoração linda, com praticamente toda a população nas ruas.
Pelo lado francano, por sua vez, o silêncio prevaleceu. Não houve como contestar a vitória do rival argentino. Se fosse ao contrário, a situação seria a mesma: Libertad e Franca foram iguais durante todo o confronto e qualquer um que vencesse, seria justo.
Poucos jogadores de Franca falaram após o jogo. A maioria chorou. Seja quem acabou de chegar, como o garoto Rafael Mineiro, ou quem convive com derrotas e vitórias há mais de 20 anos, caso de Rogério.
Na quadra, antes da bola subir, a impressão é que o Libertad tinha cega convicção de que, por jogar em casa, diante de 3,5 mil fanáticos e barulhentos torcedores, a vitória era certa.
Mas, quando o jogo começou, a história foi outra: Franca se defendeu bem e atacou com eficiência. Manteve, durante todo o primeiro quarto, o equilíbrio e a concentração. O Libertad tentou sufocar os visitantes com suas armas, as principais, Brown e Battle, “importadas” dos EUA. Franca não deixou. O placar do quarto, 23 a 18 para os donos da casa, ficou de bom tamanho para os argentinos.
No segundo quarto a situação apertou ainda mais para os argentinos. Dentro de quadra e fora dela. Dentro, Franca correu como nunca e Rogério começou a acertar todos os arremessos da linha dos três pontos. Ele fez nove pontos dessa forma no período.
Fora, dela, a torcida cantou mais alto, pressionou os brasileiros e jogou papéis e pequenos objetos a todo instante dentro da quadra. No banco, o treinador do Libertad, Carlos Bualó, desesperou-se. Pediu dois tempos quase que seguidos. Nada disso deu certo e o Unimed/Franca não só tirou a diferença como terminou na frente o primeiro tempo - 40 a 39 - com mais uma bola de três pontos de Helinho.
Na volta do intervalo, o Libertad veio com tudo. Virou o jogo e abriu seis pontos. A diferenca chegou a nove. “É agora, ninguém nos pára’, cantaram os torcedores. Lêdo engano. Os armadores Helinho e Matheus, além dos pivôs Murilo e William, apareceram e compensaram as discretas atuações de Derrick e Estevam, bem nos rebotes, mas irregular no ataque. Na média, deu certo: em contra-ataques certeiros, mais uma vez, o Unimed/Franca tirou a vantagem dos argentinos e empatou o jogo no final do período em 57 pontos. A torcida se calou.
Último quarto. Dez minutos para saber quem ficaria com o título. O Unimed/Franca entrou em alta. Os argentinos se assustaram. E tudo caminhava para a inédita conquista francana da Liga. Franca jogou bem e abriu cinco pontos faltando pouco mais de seis minutos. O Libertad empatou o jogo. Depois virou. Franca fez o mesmo e passou à frente de novo. A igualdade foi total. A taça do primeiro lugar da Liga não tinha dono até então.
Até que, a dois minutos do final, começou o desastre. Franca errou dois ataques seguidos e o Libertad não perdoou. Com um arremesso de três pontos de Benitez e outro de Muller, abriu vantagem de seis pontos. Em um último suspiro, Franca ainda encostou no placar: 70 a 68 para os donos da casa. A torcida acordou. Os argentinos se desdobraram em quadra. Fecharam o garrafão e impediram duas investidas francanas. No contra-ataque fecharam o jogo e velaram o torneio: 77 a 68.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.