Em uma chácara, na Avenida São Vicente, na Vila Hípica, mais de 20 cachorros, uma dezena de jabutis, dois macacos-pregos, um quati e um carcará, entre outras aves, como galinhas e gansos, vivem fora de perigo. O local que mais parece um minizoológico é mantido pelo chefe de Gabinete do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), José Paschoal Ribeiro. Com a autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), há mais de 20 anos, ele cuida de animais que são encontrados doentes ou machucados.
Tudo começou quando um primo veterinário pediu ajuda para encontrar um abrigo para alguns animais que estavam doentes e não poderiam ser mantidos em uma clínica. Paschoal ofereceu a chácara. “Isso foi há 20 anos. De lá para cá, o espaço já serviu de morada para uma quantidade de animais que não sei precisar”.
Depois do primo, vieram os policiais florestais. “A polícia florestal apreendia ou capturava os animais e os encaminhavam para cá. O veterinário olhava, curava os que tinham condições de voltar ao seu hábitat e depois os soltava.” Os que não tinham condições de voltar à vida livre foram enviados para zoológicos.
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Por mês, Paschoal chega a gastar cerca de R$ 4 mil entre despesas com veterinário e ração para os animais.
Entre as espécies que já foram cuidadas, estão: cobras, onças-pintadas, lobos-guarás e aves como tucano e araras. Um dos animais mais especiais que passou pelo local foi uma tamanduá-bandeira. O animal, após subir em um torre de eletricidade, teve que passar por cirurgias. Foram seis meses de tratamento até que o mamífero pudesse voltar à mata. “Isso foi há oito anos e ainda me lembro. Ele estava machucado, foi eletrocutado e teve que amputar uma pata e uma parte da cauda.”
Os animais ficam entre quatro e oito meses nas dependências da chácara, até terem condições de voltar ao meio ambiente.
Paschoal conta que hoje tem poucos animais em relação ao passado e diz que três deles não vão voltar para seus hábitats. “Os macacos e o quati não se adaptaram na natureza. Eles dependem dos outros para comer.” Entre a alimentação dos bichinhos, estão verduras, ração e muitas frutas. Só na alimentação dos cachorros são aproximadamente 30 quilos de ração por semana, sem contar os retalhos de carne que o caseiro da chácara, João Francisco Ferreira, pega em açougues da cidade. Para o quati, um prato especial: dois potes de iogurte por dia.
EM CASA
Não contente em manter os animais na chácara, Paschoal também leva animais para sua residência. São 15 gatos que moram em sua casa e recebem atenção e alimentação diária. Os gatos, junto aos cães, são recolhidos das ruas para serem tratados. “Achei uma ninhada no lixão, enquanto fazia minha caminhada. Eles foram parar lá em casa.” Após os animais estarem bem tratados, ele os encaminha para um esquema de adoção.
Ele explica que o motivo da caridade com os bichinhos é o retorno que tem. “É gratificante. Por tudo o que vivi, prefiro muito mais os animais do que os homens. Eles são muito mais sinceros. O que eu posso fazer para ajudá-los, faço com prazer.”
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