Quem visitou a última Fimec (Feira Internacional de Máquinas, Equipamentos Couros e Componentes para Calçados) ocorrida de 17 a 20 de abril em Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, cansou de responder à mesma pergunta: "Como vai Franca?"
A pergunta, muitas vezes, era feita com a certeza de resposta negativa. Acontece que a menor participação percentual dos norte-americanos nas vendas externas de calçados e o fechamento de algumas indústrias tradicionais da cidade não significam a derrocada do pólo calçadista local. Pelo contrário, há movimento num ritmo bem orquestrado que acena para um novo e ainda melhor horizonte para a capital do calçado.
Basta percorrer o Distrito Industrial e os bairros de maior concentração de fábricas para constatar que a maioria está operando em sua capacidade máxima. ``Foi-se o tempo das vacas gordas``, disse Jorge Félix Donadelli, presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca (Sindifranca). Ao assumir a entidade, em 2006, sabia que era preciso imprimir uma nova realidade para sobrepor a desvalorização do dólar e a pesada carga tributária. ``Estamos investindo em marcas próprias, em produtos de maior valor agregado e conquistando novos mercados``, revela.
Eduardo Ferreira, presidente da Associação dos Fornecedores da Indústria Calçadista (Afic) destaca a Feira Nacional dos Fornecedores da Indústria Calçadista (Fenafic), criada pela entidade, revelou o universo de empresas de componentes, couro e máquinas aqui existente, consolidando Franca como o maior cluster coureiro-calçadista do Brasil. Segundo ele, `”além das indústrias da cidade, os fornecedores locais abastecem os pólos de Jaú, Birigüi, Santa Cruz do Rio Pardo, Goiânia, Nova Serrana e Belo Horizonte``, afirma Ferreira.
O comércio local vem crescendo consideravelmente. A instalação do Wal Mart foi decidida com base na pesquisa que revelou poder de compra, mas sobretudo, deixou clara a garantia que os trabalhadores têm ao receber o salário com precisão, nas datas programadas. Foi imediatamente acompanhado pelo Carrefour, Compre Bem, Savegnago, Gimenes, Lojas Americanas, C&C, C&A e de outras empresas de alto nível.
Vale destacar também o crescimento da construção civil, com empresas investindo pesado em condomínios residenciais e comerciais. ``Temos vários projetos para Franca, onde há muitas áreas na periferia que logo serão bairros nobres``, sentencia Paulo César, gerente de negócios da MRV Engenharia (Belo Horizonte/MG). ``A preferência por condomínios fechados é uma tendência de moradia de grande aceitação nas cidades modernas``, completa.
Soma-se a essa modernização, o crescimento na área de serviços, que inclui a expansão da rede hoteleira, de telefonia e de transporte. Franca agora conta com vôos diretos para algumas capitais do País. No campo da educação e da formação profissional, esta década promete ser um marco. O Senai de Franca vai abrigar brevemente o Centro de Design, um dos mais modernos do Brasil, em sintonia direta com o mundo da moda.
Nos próximos três anos, a cidade terá um verdadeiro complexo formador de profissionais de todas as áreas. Além do novo campus da Unesp, com novos cursos, da Unifacef e Unifran, escolas de língua e de informática estão decididas a investir no mercado local.
A resposta à pergunta foi simples: "Franca vai bem, obrigado. De vento em popa".
ALEXANDRE TABAH é sócio-diretor do Shopping do Calçado de Franca. da Alta Agência de Publicidade e Marketing e presidente da associação dos moradores dos bairros Recanto Fortuna e Monde Carlo.
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