Em uma coletiva convocada às pressas, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) não usou meias palavras: bateu de frente com o promotor da Justiça de Franca, Paulo Borges, queixou-se da imprensa e decretou: acredita ser vítima de “injustiça” por parte da imprensa e da Promotoria.
A entrevista coletiva, marcada para as 10 horas, foi comunicada à imprensa às 9 e seria para falar sobre o repasse de verbas para o Franca Basquete e para a Francana. Rocha, contudo, pediu para fazer “um parenteses” e falar sobre a licitação das obras de contenção às enchentes no Córrego dos Bagres, suspensas pela Prefeitura em 30 de março por suspeita de fraude e investigadas pelo MP.
Irônico, atacou - sem nomear diretamente - o promotor Paulo Borges. “O MP foi precipitado. O assunto estava sendo investigado pela Prefeitura. O promotor devia ter pressa em colocar bandido na cadeia e agilizar os processos que estão parados”.
Rocha também criticou a imprensa e a cobertura dada ao caso. “Há 20 anos, fui vítima de erros da imprensa e deixei a vida pública. Não quero passar por isso de novo. Parte da imprensa deu ao caso um tratamento de escândalo que não corresponde à realidade”, disse em uma alusão indireta ao turbulento processo que resultou em sua saída da presidência da Vasp, no governo Orestes Quércia, e o levou ao ostracismo político por 17 anos.
OUTRO LADO
Procurado pelo Comércio para falar sobre as acusações de Rocha, o promotor Paulo Borges preferiu fugir do confronto. “É a opinião dele. É problema dele. No momento, estou muito atarefado finalizando o processo e quero ingressar justamente com essa ação civil pública”.
ENTENDA O CASO
A obra no Córrego dos Bagres, que faria o aprofundamento da calha do canal e seu alargamento, foi cancelada por Sidnei Rocha porque a empresa que elaborou o projeto técnico, a Betontest Comércio, Consultoria e Engenharia Ltda, pertence a Taísa Cintra Franceshi, mulher do engenheiro Marco Antônio Franceshi, funcionário da Secretaria de Planejamento Urbano, divisão responsável pela licitação.
Além disso, segundo o prefeito, o valor estimado para as obras, R$ 4 milhões, estaria acima do praticado no mercado. Estariam implicados no caso o secretário de Planejamento, Wilson Teixeira, o casal Franceshi e Caetano Perobelli, chefe da Copel, que coordenou a licitação. O MP começou a investigar a licitação e concluiu, sexta-feira, que há indícios de fraude. Uma ação civil pública foi proposta ontem para investigar o caso.
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