Prevê-se para o final de setembro a inauguração do Núcleo de Tecnologia e Design do Calçado que o Serviço Nacional da Indústria (Senai) está construindo em Franca, ao lado de sua escola de ensino profissionalizante. O empreendimento tem valor imensurável, pelos serviços que prestará aos calçadistas.
O núcleo funcionará em dois prédios, com área total de 4 mil metros quadrados. Terá auditório; salão para exposições e desfiles; laboratórios de ensaios físicos, químicos e biomecânicos; oficinas de modelagem de calçados, pré-fresados, fôrmas, solados, maquetes e acabamento de couros.
Terá ainda centros de formação de designers, de pesquisa e desenvolvimento de novos materiais; acompanhará as inovações e tendências mundiais em calçados e artefatos de couro; dará assessoria às indústrias em criação de produtos, no planejamento e controle da produção, gestão de pessoal; realizará testes laboratoriais de qualidade de componentes e de calçados etc.
Todos esses atendimentos em Franca estarão disponíveis aos fabricantes de calçados e artefatos de couro de Jaú, Birigüi, Santa Cruz do Rio Pardo, Presidente Prudente e São Paulo. "A abrangência dos serviços é estadual. Reivindicado pelo empresariado francano, o projeto saiu do papel por decisão do presidente do Conselho do Senai e também da Fiesp, Paulo Skaf", afirma o diretor da escola Senai local, Celso Taborda.
Retardada pelas chuvas, a construção dos prédios está concluída em cerca de 25%. Em contrapartida, 80% das máquinas, equipamentos e utensílios já foram comprados. O custo do empreendimento totalizará pouco mais de 12 milhões de reais (a imprecisão do valor decorre do que falta ser adquirido por concorrência pública). São dois mil itens, entre máquinas para acabamento e corte de couros, montagem de calçados, injetora de solados, computadores, móveis...
Na avaliação do estilista Luis Faleiros, o Núcleo de Tecnologia e Design do Calçado "é fundamental para a indústria calçadista da cidade melhorar seu desempenho`. Cita, por exemplo, os ensaios de laboratório, especialmente os biomecânicos, que mostram o conforto do calçado: "São muito importantes para a empresa testar os produtos antes de lançá-los no mercado".
Ele acrescenta que o calçadista terá do núcleo um suporte valioso para aprimorar o desenho de seus produtos, sintonizá-lo com as tendências nos principais centros mundiais produtores de moda. O design tornou-se ferramenta imprescindível para o pequeno fabricante competir com o grande que investe em propaganda, ressalta Faleiros. "A beleza atrai o consumidor que está na loja, decide uma compra, mesmo sendo a marca pouco conhecida`.
Acredita-se que de imediato ou a curto prazo o empreendimento trará vários benefícios às empresas, será referência para desviarem das pedras no caminho, auxiliará o pólo industrial da cidade com estudos de viabilidade técnica e econômica para a implementação de inovações... Enfim, a instalação do Núcleo de Tecnologia e Design do Calçado já seria um avanço considerável se fosse apenas uma ampliação da escola Senai.
CONSUMO
Os brasileiros devem comprar 599 milhões de pares de calçados neste ano, no valor total de aproximadamente 17,8 bilhões de reais. A previsão é da BMA, uma empresa de consultoria em marketing, de Novo Hamburgo/RS, que há 12 anos pesquisa o consumo de calçados no País.
A média nacional estimada é de 3,18 pares por pessoa. O Distrito Federal detém o maior consumo per capita (6,16 pares): em Brasília se ganha mais, por meios lícitos e outros nem tanto. Ainda de acordo com a consultoria, os habitantes do Estado de São Paulo comprarão 162,4 milhões de pares (3,91 pares no ano por paulista), o correspondente a 27% do consumo nacional projetado.
APOIO ANUNCIADO
Ao assumir quarta-feira passada a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista Luciano Coutinho prometeu apoiar as indústrias de calçados, têxtil e de móveis, pela importância que elas têm na geração de empregos e por estarem perdendo mercado no exterior com a baixa cotação do dólar.
Coutinho antecipara a amigos da Unicamp que dará atenção especial ao setor calçadista (cujas fragilidades e potencialidades ele conhece e muito). Por ter ojeriza à embromação, supomos que deverá anunciar em breve alguma linha de financiamento a esses fabricantes, sem as burocracias atuais e a custo civilizado.
BARRABÁS!
Tomando-se 720 reais como média salarial dos sapateiros de Franca, esse trabalhador demorará dois anos para atingir o rendimento mínimo mensal de um deputado federal, que passará de R$ 12.847 para R$ 16.512 (sem contar as verbas para moradia, transporte, comunicação, entre outros benefícios). A plebe reclama, amaldiçoa os parlamentares pelo que embolsam, mas quando esbarra num na esquina e recebe tapinha nas costas se sente tocada pelo Espírito Santo, se derrete de satisfação. É caso para junta psiquiátrica.
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