Comemoração precoce


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É hora de substituir a compra do perfume pelo talquinho de bebê, a calça nova pela fralda, a sandália de cristal pelo sapatinho de lã e assumir um papel não muito fácil: ser mãe. As jovens que estão à espera de um filho ou as que se tornaram mães muito cedo sabem muito bem o que significam essas mudanças. A responsabilidade aumenta e a rotina, tranqüila ou agitada, nunca volta a ser a mesma. Se planejam ter filhos, fica mais fácil, mas quando a gravidez aparece de surpresa, o despreparo se torna um desespero na vida do casal. Segundo dados do Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) de 2004, sete em cada cem mulheres grávidas em Franca são menores de 18 anos. Daiene Cristina, de 17 anos, é uma delas. Há dois meses e duas semanas sua vida - e a do namorado, Luís Gustavo, 22, - mudou. Foi por um exame médico que souberam da novidade. “Eu estava com muito enjôo e decidi fazer um teste. Quando vi, deu positivo. Levei o maior susto”, disse Daiene. Seu namorado, com quem está junto há cinco meses, ainda não se acostumou com a idéia. “Parece que ele não está acreditando, mas vai se conformar. O mais difícil foi contar para a família dele, porque ele já tem outro filho”, disse Daiene. Antes, o casal vivia de baladas; hoje, algumas atividades rotineiras já não são as mesmas. “Mudou por completo. Nós saíamos todos os finais de semana, agora temos que ficar em casa assistindo a filmes”, lamenta. “Foi o que aconteceu comigo também”, relata Elaine Gomes Alves, 19, que está grávida de seis meses. Ter um filho não fazia parte dos planos dela e do namorado, mas hoje já se conformaram e estão contentes com a chegada do primeiro filho. “Estamos felizes. É uma nova fase em nossa vida. Tudo é diferente, não pensamos somente em nós dois, mas em nós três”. Quanto às amizades? “Não sei o que houve, mas não temos o mesmo contato com os amigos. Os assuntos são diferentes”. Marina Veríssimo de Paula, 19, já passou por tudo isso e, com uma filha de um ano, admite. “Também não fazia parte dos meus planos”. Marina estudava quando estava grávida e teve que adiar o sonho de fazer faculdade. “Eu pretendia cursar Engenharia de Produção, mas não deu. Quem sabe no ano que vem...”, disse. As amigas de Marina se assustaram com a notícia, mas sempre apoiaram. “Elas gostaram, mas me disseram que eu era louca”, sorriu. Após vencer todas as etapas da gravidez, outro “dilema” - desta vez mais divertido - toma conta dos jovens casais: a escolha o nome da criança. “Eu sei que é menina, mas ainda não sei que nome colocar. Meu namorado quer Júlia, eu já prefiro Sofia, mas por enquanto estamos decidindo”, disse Elaine. Já Daiene ainda não sabe qual o sexo do filho, mas já tem sua opinião. “Gostaria que fosse um menino e que se chamasse Luís Fabiano, em homenagem ao pai”.

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