‘Sinto-me como um garoto’


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Hélio Rubens Garcia orienta equipe durante confronto com o Libertad, da Argentina, durante a final da Liga Sul-Americana: “Vitória por Franca tem sabor mais gostoso”
Hélio Rubens Garcia orienta equipe durante confronto com o Libertad, da Argentina, durante a final da Liga Sul-Americana: “Vitória por Franca tem sabor mais gostoso”
<p>Vitoriosa. Não há forma melhor de definir a carreira de Hélio Rubens Garcia, 66, treinador da equipe do Franca Basquete, que sagrou-se campeão paulista último domingo ao bater a equipe de Assis, por 3 a 2, e que disputa, na quarta-feira, contra o Libertad, da Argentina, a final da Liga Sul-Americana.</p> <p><br />Além de quebrar um jejum de seis anos sem títulos da cidade, a vitória é, ainda, a primeira depois da volta de Hélio Rubens a Franca. Nos seis longe da cidade, comandou grandes equipes do basquete nacional, como Vasco da Gama (RJ) e Uberlândia (MG). Nesse tempo, tornou-se o maior vencedor de campeonatos brasileiros de basquete, com nove conquistas - seis delas por Franca. “Tenho orgulho de ser formado jogador em Franca e de ter contribuido, junto com a minha geração, para tornar a cidade uma referência no esporte’”, avalia.</p> <p><br />Nesta entrevista exclusiva, concedida ao Comércio em duas oportunidades - momentos antes do início do quarto jogo contra o Libertad pelo playoff da Liga Sul-Americana e momentos depois da vitória, o treinador fala do seu retorno à cidade, dos títulos conquistados e do futuro de sua carreira. </p> <p><strong>Comércio da Franca - Após a sua saída, o time francano conquistou apenas um título (Campeão Paulista no ano 2000). Como foi construído seu retorno a Franca?<br />Hélio Rubens Garcia</strong> - A diretoria do clube me apresentou um projeto confiável, que contava com o respaldo do poder público e também dos patrocinadores. Eu já havia recebido propostas até mais atraentes do que a de Franca, mas a possibilidade de trabalhar na minha cidade, perto da minha família e dos meus amigos, pesou na decisão e resolvi voltar. </p> <p><strong>Comércio - No último domingo, após conquistar o título paulista, o seu nome foi gritado por mais de 8 mil pessoas. Qual foi a sua sensação naquele momento?<br />Hélio</strong> - É muito gratificante, pois indica que a comunidade se envolveu no projeto de reavivar essa tradição fantástica do basquete, que não existe em nenhum lugar do mundo. Esse reconhecimento nos dá também responsabilidade da continuidade do nosso trabalho, procurando melhorar cada vez mais. </p> <p><strong>Comércio - O senhor já conquistou títulos expressivos pelo Vasco e Uberlândia e é o maior vencedor do campeonato brasileiro, com nove conquistas. Mesmo com todo esse currículo, ser campeão por Franca tem um gostinho especial?<br />Hélio</strong> - Claro. Quando se fala em família, amigos e da cidade natal, é tudo mais especial, porque temos um amor, uma dedicação redobrada no que fazemos. É gratificante ver a felicidade estampada no rosto de cada pessoa que comparece aos jogos. Isso nos dá uma grande motivação, trabalhar em uma cidade em que se respira basquete. É gratificante trabalhar em Franca. Ainda assim, cada título tem o seu sabor especial, e todos são muito importantes. </p> <p><strong>Comércio - A equipe venceu o Campeonato Paulista, está na final da Liga Sul-Americana e vai bem no Campeonato Brasileiro. O senhor espera que este desempenho da equipe atraia novos patrocinadores?<br />Hélio</strong> - Quando os resultados surgem, o retorno, sobre todos os aspectos, é muito grande. Com isso, há a possibilidade de uma estrutura financeira melhor, porque o empresário sabe que o nome do seu produto é fixado de maneira muito positiva na mente das pessoas quando se apóia um trabalho sério como o que fazemos aqui. Quando este trabalho é bem feito, o apoio de patrocinadores é uma conseqüência quase que natural. </p> <p><strong>Comércio - Após o seu retorno a Franca, o senhor já teve alguma frustração?<br />Hélio</strong> - A nossa vida é cheia de altos e baixos, seja no aspecto financeiro, saúde ou no trabalho. As frustrações acontecem em todos estes campos, mas o segredo está em não sucumbir, e sim reagir, superar as adversidades e não perder a motivação nunca. A persistência é a chave do sucesso, pois vemos onde erramos e procuramos corrigir estas falhas. </p> <p><strong>Comércio - No basquete, a derrota para Ribeirão Preto na semifinal do Campeonato Paulista do ano passado foi uma frustração?<br />Hélio</strong> - Considero uma frustração muito grande, pois tivemos um enorme desgaste emocional. Mas como eu disse anteriormente, essa derrota nos permitiu corrigir muitas falhas, e agora estamos colhendo os frutos desta reformulação. Nunca podemos nos acomodar, achando que tudo está correto. Sempre existe algo a ser melhorado, aperfeiçoado. </p> <p><strong>Comércio - O senhor sente falta da equipe de Ribeirão Preto nas competições?<br />Hélio</strong> - Sem dúvida. Lamento muito a extinção da equipe deles, porque, além de ser um rival regional, era um time de muita qualidade, com excelente estrutura. De qualquer forma, espero que os dirigentes repensem essa atitude da extinção da equipe e voltem, para tornar o nosso basquete cada vez mais forte. </p> <p><strong>Comércio - O senhor almeja retornar ao comando da seleção brasileira de basquete?<br />Hélio</strong> - No momento, não tenho este pensamento. Quando estive lá, fiz o melhor que podia. Meu pensamento está focado no trabalho aqui no Franca Basquete. Se houvesse uma reestruturação do trabalho, uma situação favorável e um planejamento sério em relação à federação, eu poderia até pensar nisso, mas não tenho esta aspiração como ponto principal. </p> <p><strong>Comércio - O senhor está com 66 anos. Já existe algum pensamento em encerrar a carreira?<br />Hélio</strong> - Existe um ditado que a vida começa aos 60 anos. Então, me sinto como um garoto (risos). Por outro lado, ficamos menos jovens, mas sempre jovens no pensamento e na disposição para trabalhar. Sinto-me muito bem para cumprir minhas funções e, enquanto me sentir bem para trabalhar, pretendo continuar prestando meus serviços ao basquete. </p> <p><strong>Comércio - O Helinho está sendo preparado para ser o seu sucessor no comando do basquete francano?<br />Hélio</strong> - Não, de maneira alguma. Esta iniciativa tem que partir dele, e acho que será o próximo passo da sua carreira. Dentro de quadra, ele já vem demonstrando liderança e aptidão para comandar. Creio que ele será um bom técnico, mas ainda não conversamos a respeito disso, até porque ele ainda tem alguns anos de carreira como jogador. </p> <p><strong>Comércio - Além do basquete, qual o outro esporte de que o senhor gosta?<br />Hélio</strong> - Gosto muito de futebol, sempre que posso vou até o estádio acompanhar a Francana. Infelizmente o time não vive um bom momento, mas como eu disse, a vida em todos os aspectos é feita de altos e baixos. Acompanho também os jogos do São Paulo, que é meu time de coração. </p> <p><strong>Comércio - Até o final da década de 90, a Argentina era freguesa de carteirinha do basquete brasileiro. Atualmente, esta situação se inverteu. Qual o motivo?                                                                                               Hélio</strong> - Eles se organizaram, lá existe associação dos clubes, dos atletas e até dos árbitros.Aliado a isso, houve um trabalho de massificação do esporte no país, com o fortalecimento dos campeonatos e também das categorias de base do basquete local. Com isso, hoje eles são campeões olímpicos e mundiais. Mas o Brasil tem potencial e deve lutar para recuperar este posto. </p> <p><strong>Comércio - Existem atletas brasileiros com potencial para jogar em grandes campeonatos, como a NBA?<br />Hélio</strong> - Temos muitos jogadores. Mesmo sem a devida massificação do esporte no Brasil, todo ano surgem diversos jogadores para atuar no basquete profissional americano. O Jhonatan, ala do Paulistano, e o Rafael Mineiro, que joga em Franca, são alguns exemplos de atletas com muito potencial e que poderão ser craques internacionais em um futuro próximo. </p> <p><strong>Comércio - A Universidade do Basquete, um projeto seu, ainda é um sonho? O que falta para Franca conseguir investimentos nesse sentido, como já acontece em Saquarema, com o vôlei, e em Curitiba, com a ginástica olímpica feminina?<br />Hélio</strong> - É um sonho que estamos lutando muito para concretizar. Fizemos diversos contatos em Brasília, e já convidamos, com o auxílio do Dr. Ubiali (Marco Aurélio Ubiali, PSB, deputado federal da cidade), o ministro dos Esportes (Orlando Silva) para acompanhar um jogo aqui em Franca. Nas últimas eleições, nossa cidade se fortaleceu politicamente e esperamos contar com a intervenção destas lideranças para viabilizar a transformação de Franca em um centro de excelência de basquete no Brasil. </p> <p><strong>Comércio - E a Liga Sul-Americana, é um sonho possível?<br />Hélio</strong> - Voltamos da Argentina com dois resultados adversos, mas nunca deixamos de acreditar e conseguimos empatar o playoff. Agora, temos uma semana para trabalhar e fazer toda a preparação para o jogo. Vai ser uma partida muito dura, a torcida deles, assim como a de Franca, apóia o time o tempo todo. Mas vamos para a Argentina determinados a conquistar mais um título para Franca.</p>

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