Lentes


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Dizer adeus aos óculos é o sonho de muita gente, mas pode não ser uma tarefa tão simples. O uso indiscriminado das lentes de contato, que são compradas facilmente em farmácias e óticas sem receita médica, pode ocasionar sérios problemas oculares. A lente de contato é um disco hidrofílico - que absorve água - que fica suspenso sobre a córnea. Da mesma forma que um óculos de grau, as lentes de contato são desenhadas especialmente para focalizar a luz na retina do olho, ajustando-se a ele. A médica oftalmologista Jacqueline Presotto Limonta explica que antes de usar as lentes de contato, o paciente precisa procurar um especialista para fazer exames oftalmológicos detalhados. “Há várias contra-indicações para o uso de lentes que a população desconhece”. Entre elas, a médica cita inflamações e infecções oculares, glaucoma não controlado, má lubrificação ocular, diminuição da sensibilidade corneana, defeitos palpebrais, doenças sistêmicas ou alérgicas que possam afetar o olho, diabete instável, entre outras. Quando não há contra-indicação para o uso de lente, o oftalmologista vai examinar a curvatura da córnea para determinar qual a curvatura ideal da lente a ser usada. “Lentes apertadas ou frouxas podem trazer sérias conseqüências oculares. A lente apertada pode levar até a uma úlcera de córnea, que também pode ser causada por infecções por falta de higiene das mãos e do estojo das lentes”, disse Jacqueline. Ela ressalta a importância do uso dos produtos corretos, indicados pelo médico, para a limpeza das lentes. “Muitos usam soro fisiológico no lugar da solução multiuso. Isso não é recomendado, porque a solução contém produtos bactericidas e fungicidas que limpam as lentes evitando infecção”. Mas não são todos os jovens que fazem uso indiscriminado das lentes de contato. Júlia Paludeto Minicucci, 27, é modelo, advogada, comerciante, bartender e estudante de hotelaria. Ela tem 7,5 graus de hipermetropia (dificuldade em enxergar os objetos de perto) nos dois olhos e usa lente de contato desde os 15 anos freqüentemente. “Uso a lente o dia inteiro, só tiro para dormir. Mas vou ao meu oftalmologista de seis em seis meses, uso os produtos indicados pelo médico e tomo todos os cuidados com a higiene”, disse Júlia. Experiente no assunto, ela lembra que quando começou a usar lentes de contato ainda não existiam as gelatinosas e o cuidado precisava ser redobrado. Mas a vaidade fala mais alto. “Quando eu piscava ou virava o olho rápido, a lente caía. Para limpar a lente, antigamente, era preciso colocar um comprimido em um recipiente, uma vez por semana, para remover as proteínas, depois trocar o líquido e guardar no estojo. Hoje é muito mais fácil. Uma solução só já faz tudo”. Ela também alerta sobre a higiene das mãos e do estojo das lentes. “Antes de colocar e tirar as lentes, é preciso lavar as mãos. O estojo também tem que ser lavado sempre, além de trocar o líquido todos os dias. Também é importante ter o colírio lubrificante, específico para lentes de contato, para umedecer os olhos em ambientes que ressecam a lente”. Para aqueles que preferem não ter tanto trabalho, Júlia deixa um recado. “Não considero ter problemas de visão um defeito. Não pretendo operar e, além de usar lentes, uso óculos. Tenho vários modelos, de várias cores. Os óculos podem ser usados como acessórios das roupas e não precisam ser vistos como uma coisa ruim”.

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