Afiliados pagam ‘dízimo’ a chefe do PCC na cadeia


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Dinheiro que seria entregue a criminoso tido como chefe dos presos foi apreendido pela DIG e encaminhado para a sede da delegacia: corregedoria abrirá procedimento para apurar como a mensalidade chegava ao líder do PCC na cadeia
Dinheiro que seria entregue a criminoso tido como chefe dos presos foi apreendido pela DIG e encaminhado para a sede da delegacia: corregedoria abrirá procedimento para apurar como a mensalidade chegava ao líder do PCC na cadeia
A prisão de um sapateiro na porta da cadeia de Franca revelou um esquema até então desconhecido fora do submundo do crime. Bandidos soltos nas ruas são obrigados a pagar uma espécie de contribuição sindical ao líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) recolhido no presídio local. A forma como o dinheiro entra na cela sugere falha no sistema de vigilância ou envolvimento de policiais na transação financeira ilícita. Quinta-feira, 17h30. Os investigadores Paulo Sérgio e Aderson e o delegado Márcio Murari, da DIG, avistam o sapateiro CDN, 29, rondando o portão principal de entrada da cadeia e resolvem abordá-lo. O suspeito é revistado. No bolso de sua calça, os policiais encontram R$ 550 em notas diversas. Questionado a respeito, ele disse que, a pedido do irmão - atualmente preso, pegou a quantia com os “irmãozinhos” (gíria usada por criminosos para se referirem aos parceiros) na Vila Gosuen. CDN afirmou aos policiais que foi orientado pelo irmão a chegar ao portão da cadeia e procurar o preso “Grimar” para fazer a entrega do dinheiro. Ele se referia a Grimar Baptista de Freitas, 41. Segundo a polícia, o criminoso é apontado como líder do PCC e atual chefe dos presos do Guanabara. É acusado de ser o mandante de três assassinatos ocorridos na cidade e de envolvimento em roubos a bancos e tráfico de drogas. Ficou sem a grana. O sapateiro foi conduzido à delegacia para prestar depoimento e o dinheiro ficou apreendido para se apurar a procedência. Segundo a polícia, o valor é equivalente ao que a facção recebe como pagamento de mensalidade de seus integrantes. “Desde os ataques ocorridos no ano passado, já trabalhamos com a informação de que marginais de Franca fazem roubos e destinam parte do dinheiro arrecadado para o PCC. Algumas contas suspeitas foram bloqueadas. Agora, vamos verificar o tamanho dessa nova teia que está sendo traçada”, comentou o delegado Wanir José da Silveira Júnior. O policial acredita que bandidos de outros bairros da cidade também estejam pagando mensalidade para os líderes da facção criminosa, o que explicaria a crescente onda de assaltos. “Vamos aprofundar as investigações e trabalhar em conjunto com a Dise e o Setor de Inteligência para identificar o nome dos destinatários e os números das contas que recebem o dinheiro movimentado pelo crime organizado. Pediremos o bloqueio à Justiça”, finalizou o delegado Wanir.

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