Construtores da Febem reclamam das más condições de alojamento


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Trabalhadores dormem em galpão alugado por empreiteira na Cândido Portinari: cerca de 50 pessoas ficam enfileiradas em área de 450 metros quadrados
Trabalhadores dormem em galpão alugado por empreiteira na Cândido Portinari: cerca de 50 pessoas ficam enfileiradas em área de 450 metros quadrados
“Não tem jeito. Quando chegamos do trabalho, enquanto alguns tomam banho, outros vão para o bar esperar. É muita gente para um chuveiro só.” A reclamação é de José*, que há um mês e quinze dias está em Franca trabalhando nas obras da unidade francana do Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa), a antiga Febem. Morador de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, José está alojado em um galpão às margens da Rodovia Cândido Portinari, fora da obra. Segundo ele, são mais 49 pessoas dividindo um cômodo de aproximadamente 450 metros quadrados e um único chuveiro. No galpão, uma seqüência de camas, alguns beliches e muitos colchões esparramados pelo chão. As camas foram improvisadas com madeira da construção. Nas paredes, cordas servem de varal para que as roupas sejam estendidas. Não existem armários nem guarda-roupas. Dois vasos sanitários, um deles entupido, um chuveiro e um cano do qual sai água gelada são as peças do banheiro, feito de tapume. “Já trabalhei em vários lugares do interior. Só que ficava em hotel ou pensão. A acomodação era melhor”, diz Carlos*, sobre o que esperava encontrar em Franca. Além da falta de infra-estrutura, os trabalhadores reclamam da questão salarial. José diz que o salário combinado com a Empreiteira Monte Gideon, responsável pela contratação de funcionários, foi o piso cobrado na cidade em que mora (R$ 890) e não o de Franca, que é mais baixo (R$ 690). O encarregado da empreiteira que contratou os trabalhadores, Edmilson Miranda, nega que houve divergência em relação ao salário. “A pessoa receberá pelo salário da praça em que está em atividade e não da de que veio.” Sobre a infra-estrutura, Edmilson diz que o fato de algumas pessoas estarem dormindo no chão é motivado pela recusa de alguns em montar as camas. Além disso, questiona o número de trabalhadores citado por José e Carlos. “Esse excesso de gente ocorreu só nos últimos 15 dias, para acelerar as obras.” Sobre os chuveiros, afirma: “Foi perguntado a eles e grande parte respondeu que não gostava de tomar banho em chuveiro”, afirmou, sem dar maiores explicações. Edmilson disse ainda, em entrevista ao Comércio ontem, que analisará quais melhorias podem ser feitas no local. Para isso, pediu uma semana de prazo. O subdelegado do Ministério do Trabalho em Franca, Jamil José Leonardi, disse que deverá mandar fiscais na próxima semana para averiguar o alojamento dos trabalhadores e apontou alguns itens que estão estabelecidos na lei. Entre eles, a determinação de que cada módulo - espaço destinado a cada trabalhador - deve ter cama, armário e um espaço mínimo de três metros quadrados; que a empresa é obrigada a oferecer lençol, fronha, travesseiro e cobertor e que as instalações sanitárias devem ser de uma para cada grupo de 20 funcionários. *Nomes fictícios

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