Reconhecimento e muita alegria. São estes os sentimentos do fotógrafo Divaldo Aparecido Moreira, 31 (foto), diante da boa notícia que recebeu na última quinta-feira. Com suas fotos selecionadas para participar de uma exposição itinerante que percorrerá grandes centros agrícolas do Brasil e da Argentina, Divaldo se sente realizado e contente com a oportunidade de mostrar seu trabalho para as pessoas. "Isso é legal, pois poucas vezes os fotógrafos do interior são reconhecidos", afirma ele.
Desde o ano de 1991 Divaldo se interessa pela fotografia. Com a morte precoce de seu pai, ele teve de começar a trabalhar cedo para auxiliar sua mãe, que não tinha boas condições financeiras.
Seu primeiro emprego foi em um estúdio de fotografia, hoje localizado na Rua Marechal Deodoro, onde um primo lhe ofereceu uma vaga de assistente. Dois anos depois, trilhou outros rumos.
Foi fazer faculdade de Ciências Contábeis e estágios no Banco do Brasil e em departamentos financeiros. Com a morte da mãe, Divaldo foi embora para Santa Catarina, e lá começou a fazer alguns trabalhos como fotojornalista, retornando, no ano de 2001, para a sua área inicial, fazendo trabalhos para revistas e, posteriormente, sendo contratado pelo Comércio.
Divaldo sempre teve como referência os trabalhos de fotógrafos da Magnum Photos, uma agência de fotografia francesa, fundada por Henri Cartier Bresson e Robert Cappa. Além dos grandes talentos da fotografia do século 20, ele também se diz fascinado pelos trabalhos de Egberto Nogueira e Tadeu Vilani, vencedores da 2ª edição do Prêmio New Holland de Fotojornalismo nas categorias agricultura e tecnologia, respectivamente, o que chamou sua atenção para participar do referido concurso.
Tradicional no meio do fotojornalismo, confere visibilidade aos escolhidos e o valor de R$ 10 mil reais para o primeiro lugar.
O Prêmio New Holland de Fotojornalismo é um concurso cultural promovido pela empresa New Holland e patrocinado pelo Banco CNH Capital com o objetivo de chamar a atenção das pessoas para a zona rural, destacando a importância dela para o desenvolvimento social, econômico e cultural dos cenários brasileiros e argentinos. Ao todo, foram inscritos mais de 800 trabalhos de repórteres fotográficos que atuam em jornais, revistas e publicações de cooperativas agrícolas, entre outros veículos, de todo o Brasil e da Argentina. Destes, foram premiados três em cada modalidade do concurso, agricultura e tecnologia, além da escolha de outras 28 imagens que farão parte de uma exposição itinerante, a ser levada a universidades, centros culturais, feiras e espaços públicos.
A exposição terá início no segundo semestre deste ano e percorrerá grandes centros agrícolas do Brasil e da Argentina.
FOTOTALENTO
Não é a primeira vez que Divaldo se destaca no meio da fotografia. Sua primeira vitória veio em 1999, quando ele foi premiado no 2º Salão Nacional de Fotografia da cidade de Sorocaba, interior de São Paulo. Depois disso, em 2006, teve outras fotos publicadas no Comércio da Franca que ganharam o País. Uma delas foi de um ônibus incendiado na Vila São Sebastião. A imagem foi feita em maio daquele ano e saiu em jornais de circulação nacional, como a Folha de S. Paulo e o Correio Brasiliense.
No mês seguinte, o Comércio publicou a foto que seria levada para a capa da Folha no dia 19 de maio de 2006. Era a foto de presidiários tirada por Divaldo no Guanabara. "A foto foi tirada após a segunda onda de ataques do PCC. Tive pouco tempo de prazo para registrar a imagem". Sobre seu trabalho no jornal, Divaldo é sincero e agradecido. "O fotojornalismo do Comércio é um dos mais respeitados do Estado. Eu tenho muito orgulho de fazer parte da equipe do Comércio da Franca. A empresa tem fotos que rodaram o mundo, como a do colega Tiago Brandão, que hoje são reconhecidas lá fora. Fico feliz e agradecido por participar de tudo isso".
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