Se antes um dos maiores problemas dos francanos eram os buracos, hoje o "espaço" é ocupado pelos terrenos baldios. Em qualquer canto da cidade, existe um grupo reclamando dos transtornos de viver ao lado desses depósitos de lixos, insetos e, muitas vezes, até de marginais. As vítimas mais recentes são os moradores das Ruas Frei Felício Vasconcelos, na Vila Exposição, e Capitão Zeca de Paula, no Centro. Nos dois locais a preocupação deixou de ser apenas a invasão de ratos, baratas, cobras e escorpiões e passou a ser também a segurança.
O cabeleireiro Wilson Oliveira dos Santos, morador na Vila Exposição há dois anos, sabe bem o que é se sentir inseguro. Ele teve sua casa roubada duas vezes e hoje teme sair à noite. Tudo isso por conta de uma área tomada por matos que fica atrás do recém-inaugurado Parque do Trabalhador. A área é extensão do parque, mas virou depósito de colchões velhos, resíduos de construção e, pior, esconderijo de marginais. "É comum ver meninos se escondendo no mato. Eu, inclusive, já localizei objetos meus no meio da mata depois de ter minha casa roubada".
Um vizinho de Wilson também já perdeu a conta de quantas vezes teve a casa invadida por insetos e marginais. Para inibir a ação dos bandidos, ele fez um muro com mais de dois metros de altura e ainda colocou alambrados um metro acima do muro. "Esse matagal é um perigo. Já reclamamos demais na Prefeitura mas ninguém faz nada", disse o morador que preferiu não ser identificado.
Os insetos também não são o único problema dos moradores da Rua Monsenhor Rosa, no Centro. Um terreno, ao lado do Cemitério da Saudade, virou depósito de lixo, está tomado por matagal e, segundo vizinhos, é freqüentado por usuários de drogas. Antes, no local, existia uma casa que foi palco de um assassinato. Uma jovem foi morta e seu corpo deixado dentro do imóvel. Anos depois, sem uso, a casa acabou sendo demolida, ficando apenas o terreno. "Isso é um absurdo. Virou motel a céu aberto à noite e sanitário público durante o dia", disse o empresário Maurício Pugliese, vizinho do terreno.
Maurício disse que já reclamou no Setor de Fiscalização da Prefeitura e na Vigilância Sanitária. Sem sucesso. "Paguei uma vez para limpar, mas isso já faz cinco meses. Nunca vi ninguém limpando esse terreno. O proprietário e a Prefeitura devem tomar providências, não eu".
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