Sociedade de paz possível


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Montreal, Canadá 6 de dezembro,1989. Escola Politécnica de Montreal. Jovens universitários se encontram à espera do professor. Alegres com a perspectiva próxima do Natal e o reencontro com as famílias. Sorrateiramente um jovem aparentando 25 anos invade a sala aos gritos, ordenando que saiam todos os rapazes; que fiquem apenas as mulheres cujo esforço e rompimento de algumas barreiras levaram aos bancos do curso de Engenharia. Cobertas de horror, sem que se dessem conta, tiros desfizeram o abraço mortal, qual ciranda, que se deram em desesperada tentativa de proteção. Eram 16. “Vocês são todas feministas”, vociferou o algoz. Em seguida, suicidou-se, deixando o testamento dessa ignomínia: “não suportara a idéia de ver mulheres estudando engenharia, curso por tradição, dirigido exclusivamente aos homens”. Seu nome, Marc Lepine. A violência começa no pensamento, e ela é usada para compensar frustrações. Neste caso as mulheres foram responsabilizadas por ocuparem um espaço que não lhes pertencia (sic). O que teria justificado a ação doentia do algoz, ao julgar que exterminando as jovens estaria fazendo um beneficio muito grande à humanidade? Pasmem: mulheres na Engenharia, violência estrutural de gênero e a morte em pagamento pelo atrevimento! Existe atualmente uma forte tendência à banalização da violência. Instalada nos sistemas políticos e econômicos que reforçam as desigualdades, reforçam as distâncias nas oportunidades, corroem o tecido social e geram exclusão, desemprego, pobreza e humilhação. Há violência nos discursos políticos que domesticam, mentem e criam resignação e dependência de bolsas e rendas que são mínimas, travestidas de justiça social, pura enganação. Há a violência no desvio de recursos públicos, que deveriam ser investidos na liberdade e acesso aos bens culturais e naturais, patrimônio da humanidade e posse de poucos. Há violência quando alguém pela sua cor, raça, deficiência, obesidade ou magreza excessiva, pela opção sexual, pela pobreza é discriminado. A sociedade não está percebendo que a raiz da agressão se espalha pelo solo fértil da condição humana. O ciclo vicioso da violência é estabelecido. Há porém, o esboço de uma sociedade de paz que pode se tornar possível à medida que se disponha a negociar, a dialogar e não cooperar com injustiças e abuso de poder. Sentimentos esquecidos, como compaixão, solidariedade, capacidade de perdão,estão distantes das discussões do entorno. Nesta perspectiva, usando esse conjunto ético, como instrumento para avaliar a sua própria conduta, a sociedade será capaz de dimensionar a quantas anda seu aperfeiçoamento espiritual, moral e cívico. Gandhi, Martin Luther King e outros pacifistas deram a vida por seus sonhos de paz. Seus sonhos ampliados e compartilhados trouxeram transformações irreversíveis: libertar a humanidade da violência. Provaram, por suas vidas, que raízes destrutivas fortemente disseminadas na humanidade podem ser extirpadas com o amor. Com a palavra, Jesus Cristo. BOM DIA, VERDADE! Legislativo local em baixa, mediocridade absoluta no ar em alta! Um vazio de projetos simbolicamente espelhando um vazio de ‘cátedras’. Que pena. E a comunidade, pegando o jeito: paciente e incompreensivelmente sonha, espreguiçando-se na rede! Decifra-me e viverás! PAUSA PARA O CAFÉ Coffee break com Fernando Bueno Ribeiro, superintendente da Fundação Santa Casa de Misericórdia de Franca, mais antiga da cidade, 110 anos em junho, em grande estilo. Sua gestão, aliada a critérios de transparência, qualidade total e humanização, colocou de cabeça para baixo o organograma da instituição. Foi para o topo da pirâmide a razão de ser da missão: usuários e clientes. Democratizando essa relação na empresa, o presidente José Cândido Chimionato baixou resolução, criando, no âmbito dos hospitais - Santa Casa, Hospital do Câncer e Hospital do Coração - a Ouvidoria. Inspirada na legislação do SUS, atua na defesa de direitos dos usuários. Lugar indicado para queixas, reclamações, denúncias, críticas, elogios ou sugestões. O reclamante agora tem o direito de acompanhar os processos e obter em prazo hábil resposta da direção. O e-mail do setor é: ouvidoria@santacasadefranca.com.br. Novamente as organizações filantrópicas, dando show de bola, exemplo a governos e à iniciativa privada! Café forte, adoçado de sonhos com qualidade de justiça social! EXCLUSÃO Voz que clama no deserto. O grito dos excluídos continua desafiando os ataques à harmonia da mais bela das sinfonias, a sinfonia da vida! Se ocorrer silêncio haverá o canto fúnebre da morte inglória da justiça! Não silencie! Clame!

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