Uma outra crônica


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Sob o título “Uma crônica maravilhosa” transcrevi um extenso comentário que meu grande mestre e amigo Dr. Alfredo Palermo fizera, anos atrás, sobre meu livro Um Palheiro para a Agulha e outras Histórias. Agora, pela segunda vez, ele me emociona com outra maravilhosa crônica publicada no Comércio, intitulada ‘Um Palheiro E Outros Contos’. No seu inconfundível estilo de brilhante cronista, consegue enxergar ‘nuances” nas minhas histórias que só o mais arguto observador, o mais profundo conhecedor de literatura seria capaz. Quando cita, por exemplo, minha “fluência de expressão e uma minúcia de registros sem qualquer preocupação estilística” me impressiona sobremaneira pela perspicácia. De fato, nada mais verdadeiro: eu não invento situações a esmo nos meus contos pelo simples prazer. Quando escrevi, no meu segundo livro, que um carro foi jogado num precipício na rodovia Rio-Petrópolis, onde havia uma cerca arrebentada, é porque eu estive lá e vi que era lugar ideal para se forjar um acidente, como ocorreu na história “Um Palheiro...”. Também quando dou detalhes de estradas e cidades européias ou americanas - a “minúcia de detalhes” a que se referiu Dr. Palermo - é porque estive lá e anotei tudo. Até minhas “expressões realistas do popularesco idiomático” são objetivamente analisadas. Citações que me encantaram, que focalizaram o ponto exato que um escritor otimista espera que seu leitor perceba. Nos meus contos “A puta que faliu”, “A vizinha do Jenildo” e “As contas do Jesuíno” eu me utilizo da informalidade dos diálogos. Chego a usar um vocabulário chulo, burlesco, quando a conversa é entre uma prostituta e um proxeneta, entre um velho safado e uma garota de programa, entre um apaixonado por sexo que se coloca entre uma lésbica e um “gay’. E isso o professor conseguiu pinçar com a habilidade de um inigualável cirurgião. Aliás, cada crônica de Palermo sempre foi para mim uma inesgotável fonte de aprendizado. Em sua “Crônica Maravilhosa”, em apenas uma frase ele me mostrou a diferença fundamental entre um conto e uma crônica. e me levou às lágrimas quando, se referindo ao meu segundo livro, escreveu que “além do domínio total da técnica narrativa, você nos apresenta um florilégio de contos atraentes, com uma qualidade temática original e um estilo realmente sedutor”, classificando minha história como “um conto magistral!” Essas duas crônicas não serviram apenas para massagear o “ego” deste modesto “contador de causos”. Para mim elas representaram a conquista de um verdadeiro Prêmio Nobel de Literatura. Quem conhece mestre Alfredo Palermo sabe o que eu estou dizendo. E a minha felicidade maior é que tudo o que sei hoje aprendi com ele como seu aluno de Português no Instituto de Educação “Torquato Caleiro”. No único ano, dos sete que lá estudei, em que ele não foi meu professor, foi substituído por sua irmã, a igualmente maravilhosa Elza Palermo Rocha. Se mérito existe na edição desse meu terceiro livro de contos, eu o divido com o meu querido mestre. Foi ele que, através de admiráveis aulas, soube me conduzir à leitura dos grandes escritores. Foi ele que me abriu Eça de Queiroz, Machado de Assis, Augusto dos Anjos, Vicente de Carvalho, Carlos Drumond de Andrade. E foi o grande mestre, enfim, que pelas páginas do Comércio, me deu a oportunidade de seguir suas pegadas de cronista. A cada crônica sua eu aprendia um pouco mais, até me aventurar a publicar as minhas primeiras. E a não mais perder o hábito. Por tudo isso, meu caro ídolo Dr. Alfredo Palermo, festejo o sucesso a que seus escritos me conduziram, usando, com a devida ‘vênia’, uma de suas lindas colocações ao prefaciar meu primeiro livro:’Enfim, ‘São Contos Que Eu Conto’ aí está. E assinala um momento feliz nas letras da província’. Espero que o mesmo esteja acontecendo agora com o meu ‘Palheiro II’... HENRIQUE O. MARCONI é advogado tributarista, pós-graduado em Direito Tributário pela Universidade de Harvard (EUA) e autor de livros.

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