Água doce


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Hipócrates, no século V, a.C., já chamava a atenção de seus colegas médicos para a relação entre a qualidade da água e a saúde da população. Essa preocupação não foi apreciada por seus colegas como algo crível . A partir da Idade Média, a História registra o surgimento de epidemias decorrentes da proliferação de roedores nos lixões das cidades. Estima-se, atualmente, que cada indivíduo produz cerca de 300 quilos de lixo por ano. O manejo inadequado, a falta de educação ambiental, combinados com a alienação do Poder Público em face do problema, faz com que as perspectivas sejam desastrosas. Recentemente, correu a informação que a construção de um aterro sanitário em Ribeirão Preto, poderia contaminar o Aqüífero Guarani, considerado o maior manancial de água doce subterrânea do mundo e que se localiza na região centro-leste da América Latina, estendendo-se pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. É importante considerar que o aqüífero constitui uma importante reserva estratégica tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico, pois trata-se de reserva de água-doce e o mundo já está em crise em razão da escassez desse bem. Importante reconhecer o potencial tóxico que a erosão e o aumento acentuado da produção de resíduos sólidos (lixo) podem acarretar ao manancial. A crescente urbanização sem a preocupação com manejo sustentável das áreas próximas ao aqüífero pode contamina-lo e uma vez contaminado não há possibilidade de descontaminação. Para mitigar o problema, os Agentes Públicos deveriam se preocupar em manter a população informada a respeito desse manancial tendo em vista que de sua área total, 840 mil metros quadrados (2/3) estão no Brasil. Há estudos prevendo que no futuro, a agricultura que usa fertilizantes e pesticidas poderá vir a ser proibida nas margens do aqüífero em razão do perigo.. Alguns pesquisadores alertam para a diminuição da capacidade do seu volume pelo mal gerenciamento e falta de informação por parte da população. Estima-se que a cidade de São Paulo poderá ter de recorrer ao aqüífero como única saída para o desabastecimento de água. Não custa nada desviar um pouco o olhar para essa questão, mesmo porque no futuro, países serão invadidos pelo simples motivo de possuir em seu território alguns mananciais de água doce. Acrescenta-se ainda, que, do total de água doce do planeta, que não passa de 3%, apenas 0,03% estão diretamente disponíveis ao consumo do homem. A prioridade é promover não apenas conscientização pelo uso sustentável da água, pela diminuição na produção de lixo doméstico e industrial, mas toda uma mudança de hábitos de consumo. A água, como qualquer recurso natural, é um bem finito. Muitos povos já sentem a falta desse elemento indispensável à manutenção da vida na Terra e estão pagando um alto preço pela falta de gerenciamento dos governantes no sentido de informar e educar. O ano de 2003 foi o Ano Internacional da Água, mas está claro que não pode dedicar apenas um ano, mas uma vida para a conservação e manutenção da vida. NADIR A. CABRAL BERNARDINO é advogada, formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental.

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