Friozinho gostoso


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Depois do calorão típico dos primeiros meses do ano, chegou a hora de tirar o casaco, as luvas, mantas e edredons do guarda-roupa. Desde o início da semana, as madrugadas e noites de Franca estão mais frias. Tomar banho antes de dormir ou para sair de casa pela manhã é um desafio. Os primeiros sinais de que o frio está chegando já apareceram. Na madrugada desta quinta-feira, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) registrou mínima de 15,6 graus, uma das menores temperaturas do ano. Há um mês, as médias mínimas ficavam entre 19 e 18 graus. O friozinho que se instala na cidade depois das 17 horas tem lotado as casas de caldos, aumentado as vendas de cafés e outras bebidas quentes e feito o francano mudar de visual. Nas ruas, é possível ver trabalhadores com roupas de manga longa e carregando a sua blusa de frio a tiracolo. Nas vitrines, os biquínis e camisetas cavadas foram substituídos por jaquetas e moletons. Luciene Dias, meteorologista do Inmet, disse que as baixas temperaturas são reflexo da entrada de uma massa de ar polar na região. A tendência é que maiores quedas aconteçam a partir da segunda quinzena do mês. Enquanto os mais "friorentos" reclamam e se preparam para a estação, alguns comerciantes comemoram. Na Padaria Estrela, a venda de pães, tortas e lanches aumentou nos últimos dias. Mais propício para a época, o consumo de cafés, cappuccinos, chás e chocolates quentes cresceu 10% e ultrapassa a marca de 90 unidades em apenas uma noite. "Esperamos que, com menores temperaturas, o crescimento seja de 40%. Quanto mais frio, maior é o consumo no ramo de panificação. Não temos do que reclamar", disse Alexandre Marques Xavier, encarregado do departamento de compras da panificadora. Especializada na venda de bebidas quentes, com destaque para o café, a lanchonete Senhor Café, que fica no Centro de Franca, se prepara para vender até 50% mais do que em outro períodos. São, em média, 400 xícaras da bebida quente por dia. "O frio ainda não chegou com muita força. Fica mais forte no período da noite, porém já começamos a nos preparar. Maio será frio e isso estimulará um maior consumo de bebidas", disse Ricardo Tornatore Nogueira, sócio-proprietário da casa. Na casa de caldos Triângulo, no Jardim Francano, não é diferente. O proprietário Marco Ferreira Silva comemora a entrada das baixas temperaturas. "Há uma semana, já vendo mais caldos nas noites de sábado e domingo. É automático, quando faz frio. Vendemos duas vezes mais". No estabelecimento, são vendidas, em média, 60 unidades de caldos em dias frios, a maioria dos carros-chefes: vaca atolada, mocotó e feijoada. "Estamos com dez tipos diferentes de caldos. Nessa época, eles são as opções mais procuradas para recuperar as energias e esquentar depois de uma balada". Para a enfermeira Cleide Alves Silva, 47, a cidade está cada dia mais fria. "Antes conseguia dormir com a janela aberta. Agora, além de ter que fechá-la, precisei colar um cobertor na cama". A empregada doméstica Mara Dias Borges, 29, moradora do Jardim Aeroporto, também percebeu a diferença e reclama da queda na temperatura. "Para levantar de manhã, está mais difícil e não dá para sair sem blusa. O frio chegou e mal sabemos quando vai embora". A estudante Patrícia Félix de Almeida, que deixou sua cidade natal Santos para se mudar para Franca neste ano, ainda não tinha experimentado o friozinho típico do fim de tarde na cidade nesta época do ano. "Fui pega de surpresa. Tive que voltar a Santos, na casa dos meus pais, para buscar algumas blusas e cobertores". A previsão para as próximas sema-nas é que o frio aumente, com a aproximação do inverno que começa no dia 21 de junho.

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