Pelo menos 24 cidades e 600 mil pessoas da região ficaram “ilhadas” durante a manhã de ontem. Dois cabos de fibra óptica da CTBC (Companhia de Telecomunicações do Brasil Central) foram cortados e, com isso, ninguém conseguiu fazer ligações interurbanas (em algumas cidades, nem mesmo ligações locais) ou fazer conexão com a Internet. As rupturas foram feitas em dois pontos estratégicos para a companhia. Um na Rodovia Cândido Portinari, em Restinga, e outro na Fábio Talarico, em São Joaquim da Barra, distantes cerca de 60 quilômetros uma da outra. Os serviços ficaram restritos das 8 às 12h30 de ontem, enquanto uma equipe de 15 técnicos da CTBC trabalhou nos dois locais para consertar o estrago.
Nenhum pedaço de fio foi roubado. A polícia suspeita que ex-funcionários sejam os responsáveis pelas ações.
O técnico de telecomunicação da companhia, Paulo Magno Marques, explicou que a transmissão de dados da CTBC é feita por um anel óptico enterrado na região. Para manter o sistema de telefonia em funcionamento existem dois caminhos de transmissão. Caso um seja danificado, o outro tem capacidade de trabalhar sozinho e evitar a suspensão dos serviços. “Mas estes dois caminhos foram cortados simultaneamente”, disse Marques.
Na Rodovia Fábio Talarico, em São Joaquim, a ação foi ousada. Os autores do corte precisaram cavar mais de um metro para chegar até a caixa de concreto que protege os cabos. Depois, retiraram a tampa da caixa que pesa 100 quilos para cortar a fibra óptica. “Dentro da caixa existiam quatro cabos e só o principal foi cortado”, disse o técnico de telecomunicação, Paulo Magno Marques.
Na Rodovia Cândido Portinari, a ação foi facilitada. Por conta das obras de duplicação da via, o cabo está exposto no acostamento da estrada. Os vândalos serraram a fibra duas vezes.
O diretor regional da CTBC, Luís Fernando Rezende, está hospitalizado e nenhum outro responsável pela empresa se manifestou sobre o assunto. A assessoria de imprensa da CTBC divulgou uma nota esclarecendo que a falha de comunicação na rede de telefonia fixa, móvel e internet nas cidades do Estado de São Paulo onde a CTBC atua, foi em decorrência de um ato de vandalismo e pediu desculpas à população pelo transtorno causado. “A empresa está buscando providências cabíveis junto aos órgãos competentes para tentar evitar novos atos criminosos como esse”.
A assessoria também informou que não tem como calcular o custo das operações causadas pela ação criminosa porque o prejuízo maior foi dos clientes da CTBC que ficaram sem poder utilizar os serviços da empresa durante a manhã de ontem.
Colaboraram Patrícia Paim, Mônica Carvalho, Edson Arantes e Melissa Toledo
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