A Amazonas, fabricante de artefatos de borracha, reduziu em 16,5% seu número de trabalhadores. Foram demitidos 168 dos cerca de mil funcionários, que aderiVoluntária) da empresa, iniciado em fevereiro deste ano. A principal justificativa para a ação foi a crise no setor calçadista e a saída de grandes empresas da cidade. Já as outras empresas do Grupo Amazonas, que integra indústrias como Quimicam e Componam e tem mais de 2 mil funcionários, não foram afetadas.
No plano de demissão, a empresa ofereceu uma premiação de até 20% do salário anual dos funcionários, além da rescisão obrigatória, que inclui pagamento de férias, 13º salário e saldo de salários. Já o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) foi parcelado em dez vezes.
Antônio Carlos (não quis revelar sobrenome), diretor da Amazonas, disse que o plano teve maior adesão de trabalhadores aposentados e foi pensado justamente para que a empresa se adequasse à realidade do mercado. “Estamos num mercado muito competitivo. Além disso, como grandes fornecedores, fomos penalizados com a saída da Pé de Ferro da cidade”.
O diretor não estimou o impacto das demissões na folha de pagamento da empresa, mas disse que tem cumprido suas obrigações junto aos ex-funcionários. “Em que pese dificuldade do mercado, competitivo e pequeno, fizemos um bom acordo e estamos pagando em dia”.
Apesar dos acordos firmados pela empresa, o diretor financeiro do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Artefatos de Borracha disse que o pagamento do FGTS de alguns funcionários está atrasado. “Recebemos trabalhadores que reclamaram do atraso”, disse Edson, que confirmou que a empresa quitou todas as rescisões.
Entre eles está o operador de lixadeira Rogério César Genaro, 28. Ele trabalhou por oito anos na Amazonas e teve parcelado o FGTS em dez meses. As duas primeiras parcelas, no valor de R$ 600 cada, não haviam sido depositadas até sexta-feira da semana passada. “Pedi informação e ninguém nos deu uma satisfação. Estamos nos sentindo enganados”.
Antônio Carlos nega o atraso. “Fizemos todos os depósitos no mês de abril, o último foi feito dia 30. Às vezes demora um tempo para o saldo aparecer no banco. Estamos cumprindo à risca”.
CRISE?
Desde março, a Amazonas já havia anunciado cortes nas despesas como forma de fugir da crise, entre eles o dos convênios médicos de 450 aposentados e de seus familiares. Na época, o diretor do Grupo, Saulo Pucci Bueno, afirmou que outras iniciativas estavam sendo tomadas com o objetivo de adequar os gastos à nova realidade da Amazonas, que hoje teria uma estrutura muito maior do que o mercado comporta.
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