Os 150 anos


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O dia 18 de abril é um dia especial no calendário dos que gostam de ler, já que este dia é dedicado ao livro, especialmente por causa de Monteiro Lobato. Para nós, espíritas, também é um dia muito especial. Em 18 de abril de 1857, em Paris, França, num sábado, foi lançada a primeira edição de O Livro dos Espíritos. Trata-se da principal obra do espiritismo, podendo-se afirmar que quem desejar conhecer a doutrina espírita é indispensável conhecer O Livro dos Espíritos. Cabe ressaltar, inicialmente, que o título é muito sugestivo porquanto o conteúdo essencial do livro é de autoria dos espíritos que o ditaram ao prof. Hyppolite Leon Denizar Rivail. Utilizando-se de diversos médiuns para formular perguntas aos espíritos, o professor Rivail colheu respostas sábias para questões fundamentais para o entendimento da origem do espírito, suas relações com o homem e as conseqüências morais daí advindas. Para separar o Espiritismo da obra pedagógica que havia escrito até então, o professor Rivail adotou o nome de Allan Kardec, nome sugerido pelo espírito Zéfiro, seu amigo e que com ele convivera na Gália, entre os Druidas. Assim o conteúdo das respostas que os espíritos deram é que compõe a Doutrina Espírita. Daí porque usar-se o nome O Livro Dos Espíritos. Não é de Allan Kardec o conteúdo ali apresentado. Dele são as perguntas que, no dizer de Paulo Freire, têm uma pedagogia que ensina. Por esta razão não se pode e não se deve qualificar o nome Espiritismo. Não se pode dizer, por exemplo, espiritismo Kardecista, já que este não existe. Existe, sim, o espiritismo, formulado pelas entidades encarregadas por Jesus, para apresentarem a Doutrina Espírita à humanidade. Sendo um resumo de todo o conhecimento humano até então, o Livro divide-se em quatro partes, a saber: Da Criação, Do Mundo Espiritual, Das Leis Morais e Das Esperanças e Consolações; com 1019 inteligentes perguntas e sábias respostas. Além disso, Allan Kardec é o autor de uma excelente introdução onde analisa pontos importantes da doutrina que era apresentada aos homens. É, ainda, autor de uma conclusão onde fica evidente sua capacidade de síntese e objetividade. Como pontos básicos a nova doutrina apresenta: Deus, imortalidade da alma, comunicabilidade dos espíritos (alma), reencarnação, pluralidade dos mundos habitados e moral de Jesus. Esta obra basilar de espiritismo informa-nos que a doutrina é uma ciência, uma filosofia e uma religião, está no seu sentido mais puro de religação com Deus. O espiritismo não tem, como preocupação fundamental, o proselitismo, isto é, a conversão das pessoas. Contudo, o estudo da Doutrina é caminho verdadeiro para aqueles que desejarem conhecer o espiritismo. E, aí, ressaltamos que O Livro dos Espíritos é o ponto de partida para o entendimento real do que é o espiritismo. FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN).

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