Empresas do século 19


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O Dia Mundial do Trabalho, comemorado hoje, simboliza a mobilização dos operários, na década de 1880, para se distinguirem dos animais de tração e de montaria (jegues, cavalos e assemelhados). Em Franca, nem todos os sapateiros têm motivo para festejar a data, pois há um agrupamento que trabalha em empresas do século 19. Primeiro de maio de 1886: milhares de operários de Chicago, principal centro industrial dos Estados Unidos, saem às ruas e protestam contra as condições desumanas de trabalho e exigem a redução da jornada de 13 para 8 horas diárias. A polícia espanca, prende e mata. Desencadeia-se uma greve geral naquele país. Entre mortos e feridos, tudo permanece como estava. Junho de 1889: dirigentes de agremiações socialistas de vários países decidem promover greve geral, pela redução das horas de trabalho, no dia 1º de maio de todos os anos, tendo como bandeira os mártires de Chicago. Em uma dessas paralisações, em 1891, dez grevistas são mortos na França. Abril de 1919: a França (tarda mas não falta) institui 8 horas diárias para o trabalho e decreta feriado nacional no dia 1º de maio, em homenagem aos produtores da riqueza da sociedade. Outras nações seguem a decisão francesa. Até em Açores, arquipélago de Portugal com autonomia política e administrativa, comemora-se hoje “O dia dos maios” bonecos que os açorenses fazem com panos, colocam nas varandas e janelas, significando os trabalhadores (essa gente portuguesa, com certeza, é requintada nas metáforas e filigranas simbólicas). Franca/Brasil, 1º de maio de 2007: alguma fábrica deve ter obrigado seus funcionários a trabalhar hoje. Se na última hora (ontem à tarde) resolveu dispensá-los, não exclui o fato de ser integrante de um pequeno grupo que se imagina sediado na China atual ou na Europa dos 1800. Não são microempresas familiares, com cinco parentes e dois contratados. São fábricas com até 50 funcionários, que exploram literalmente o trabalhador. Atrasam pagamento dos salários; impõem horas extras e não as pagam (sim, não pagam); não respeitam as cláusulas sociais da convenção trabalhista firmada anualmente pelos sindicatos da indústria e dos sapateiros (o pão com café da manhã, auxílio-escola, etc., etc.)... Não recolhem Fundo de Garantia (FGTS), mas ficam com a parte do funcionário para pagar prestação de caminhonete com cabine dupla; quando denunciados, pagam sorridentes as multas irrisórias pelo funcionamento nos feriados; enfim, são caso de polícia. Esses contraventores denigrem o nome da classe calçadista da cidade. São um câncer. É um grupo pequeno, reitere-se... Mesmo se fosse apenas uma empresa - a que se mudou do Jardim Paulistano para o Distrito Industrial -, não deveria existir, porque pisa e cospe nos direitos dos funcionários. QUADRO GERAL Quais são as condições de trabalho dos sapateiros de Franca, hoje? “Melhoraram na maioria das fábricas”, afirma o presidente do sindicato da classe, Paulo Afonso Ribeiro. Mas faz a ressalva: “Há uma minoria de empresas que desrespeita tudo. Elas são autuadas, multadas, trocam os funcionários e prosseguem nas transgressões. Estamos recorrendo à Justiça para coibir essas anomalias”. Paulo Ribeiro diz estar preocupado com duas ocorrências: “uma é a carga horária maior nas empresas prestadoras de serviços que remuneram o funcionário pelas peças produzidas; ele trabalha mais para atingir o ganho de quem não é pecista. Outra é o aumento dos acidentes de trabalho em alguns fornecedores de itens de fabricação do calçado, como pré-fresado, palmilha etc.” O presidente do sindicato dos sapateiros revela que ele e o dirigente do sindicato patronal, Jorge Félix Donadelli, firmaram compromisso para discutir uma pauta complementar às cláusulas sociais que regulam as relações de trabalho nas indústrias de calçados da cidade. “As reuniões devem começar neste mês de maio. Serão discutidas questões sobre saúde, segurança, instalação de creches, reclassificação profissional, entre outras”, afirma. PUBLICAÇÃO INÉDITA A associação nacional das indústrias de componentes para couro, calçados e artefatos (Assintecal) lançará em dezembro uma publicação inédita: um guia com nome, endereço, telefone, e-mail e site de 1515 empresas de todos os portes e regiões do País que fabricam desde palmilhas e solas a produtos químicos e máquinas para o setor calçadista. A iniciativa tem o apoio do Sebrae. Com tiragem de 5 mil exemplares, o guia será distribuído gratuitamente. QUEDA NOS EMBARQUES O Brasil exportou 50 milhões de pares de calçados no primeiro trimestre, o que representou uma queda de 13% (ou 7,5 milhões de pares) em relação aos embarques realizados no mesmo período do ano passado. A receita que atingira US$ 502 milhões caiu para US$ 491,9 milhões (menos 2%). Somente o Ceará registrou saldo positivo: vendeu 17,1 milhões de pares no mercado externo, no valor total de 79,7 milhões de dólares. Embarques e faturamento cresceram 22% e 3%, respectivamente, na comparação com o movimento de janeiro a março de 2006. Aquela região tornou-se a segunda maior exportadora de calçados do País. CONSTATAÇÃO “Este indivíduo sozinho é uma quadrilha”. Saulo Pucci Bueno, do grupo Amazonas, parafraseando Samuel Wainer.

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