Cresce nível de estudo dos francanos, mas salários altos caem pela metade


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Albertina Alves Lopes Fernandes na seção da qual é responsável no Magazine Luiza: diploma lhe deu mais segurança no atendimento ao cliente
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O perfil do trabalhador francano mudou nos últimos dez anos. Hoje os empregados com registro em carteira na cidade estão mais instruídos, mas ganham menos. A constatação faz parte do estudo comparativo dos dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) entregue pelas empresas da cidade ao Ministério do Trabalho. O levantamento traz o raio-X do emprego formal na cidade em 1995 e 2005. Há dez anos, apenas dois em cada dez trabalhadores registrados na cidade tinham concluído o segundo grau (Ensino Médio). A grande maioria não chegava a completar a 8ª série (53,9%). “O nível de qualificação daquela época era menor. As exigências do mercado também. Hoje o cenário é outro. A globalização e mecanização dos meios de produção exigem que o trabalhador se especialize e adquira mais conhecimento”, analisa o subdelegado do Trabalho em Franca, Jamil José Leonardi. As necessidades das empresas acabaram levando ao aumento do grau de instrução da massa trabalhadora. Em 2005, mais de metade dos empregados chegava ao Ensino Médio. “Os próprios trabalhadores, até mesmo os menos instruídos, perceberam que era preciso se aprimorar. Até pela mecanização do processo. Ele (o profissional) não vai mais cortar couro, mas vai operar a máquina. Para isso, vai ter de entender como os equipamentos funcionam. Estudar, neste contexto, se torna essencial. Ganha quem consegue perceber isso”, disse Leonardi. A encarregada de confecção da loja do Centro do Magazine Luiza, Albertina Alves Lopes Fernandes, é uma das que se sentiram forçadas a evoluir nos estudos para garantir seu espaço no mercado de trabalho. Ela concluiu o Ensino Médio em 1993. Há 11 anos, entrou na empresa como vendedora e percebeu que, se se mantivesse com a escolaridade que tinha, ficaria para trás. Com o apoio da loja, entrou na faculdade de Economia em 1997 e se formou em 2002. “Hoje eu tenho muito mais oportunidade. Sou mais rápida e me sinto muito mais preparada para conversar com os clientes. Se não tivesse feito, estaria estagnada, com uma vida monótona.” Mas ao contrário do que aconteceu com Albertina, o estudo dos dados do Ministério do Trabalho mostra que um maior grau de instrução nem sempre é sinônimo de melhores ganhos. Enquanto o número de trabalhadores com melhor qualificação aumentou nos últimos dez anos, o universo de empregados ganhando muito bem diminuiu pela metade. Em 1995, mais de 3,2 mil trabalhadores ganhavam dez salários mínimos ou mais. Hoje são apenas 1,6 mil. Para o subdelegado, a redução nos ganhos do trabalhador é resultado direto da concorrência. “Atualmente há muita gente no mercado a fim de trabalhar. É fácil demitir alguém que ganha mil por mês e depois encontrar um mais qualificado pelo mesmo salário ou até mesmo por um mais baixo.” No entanto, Jamil está confiante. “Acho que a economia brasileira vai superar este período. A própria qualificação deve aumentar a renda. Com a diversificação do mercado exportador, se espera que o trabalhador volte a ter a renda de antes.” A psicóloga e especialista em recrutamento pessoal, Marina Coutinho de Pádua, ainda aponta como razão para o encolhimento nos rendimentos dos trabalhadores a má fase da economia da cidade, baseada principalmente na indústria calçadista. “O problema é a questão do dólar que foi desvalorizado nos últimos anos e afetou diretamente o faturamento de muitas empresas exportadoras. E como a produção de sapato é instável, esse tipo de alteração de cenário acaba se refletindo no salário”. Hoje em Franca existem mais de 67 mil trabalhadores registrados. Deste total, 59% são homens, com idades entre 25 e 39 anos, que ganham em média dois salários mínimos. A maioria ainda trabalha na indústria, ganhando o pior salário pago pelo setor no Estado, uma média de R$ 711.

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