“Dá-lhe, dá-lhe e dá-lhe Franca, com muito orgulho, com muito amor”. O coro entoado por mais de oito mil pessoas nas arquibancadas do Póli, domingo, foi de arrepiar. Quem não esteve no ginásio, perdeu. Quem foi, jamais se esquecerá da angústia, do sofrimento e da explosão de alegria com a vitória. O templo do basquete transformou-se em um mar de gente. Foi uma noite épica. O domingo amanheceu ensolarado e com temperatura amena.
Além da missa, do tradicional almoço em família e das finais dos campeonatos estaduais, era dia de decisão no Póli. Na feira livre, nos bares, nas praças e nos campos de várzea não se falava em outra coisa: Era dia de ver o basquete ser campeão após longos seis anos.
O jogo estava marcado para as 20 horas, mas três horas antes os melhores lugares foram ocupados. Quem deixou para chegar na última hora, teve de se contentar em ficar de pé no piso superior das arquibancadas. E chegar lá já era um sacrifício. No local, torcedores na ponta do pé e com radinho no ouvido, disputaram espaço para poder ver ao menos um pedaço da quadra.
Até policiais escalados para a segurança procuraram o melhor ângulo. Mulheres com crianças no colo se entregaram ao cansaço e sentaram no chão. Não viram nada. Só ouviram o frissom da torcida. A impressão era de que foram vendidos ingressos além da capacidade do lugar.
Mas ninguém reclamou. Muito pelo contrário. Somente as oito mil e cinqüenta e quatro pessoas (maior público no ginásio em pelo menos uma década) podem explicar a paixão, o fascínio que o basquete exerce sobre os francanos. “Foi a primeira vez que assisti a um jogo. Não entendo muito bem as regras, mas adorei.
Foi legal e emocionante. Quero voltar outras vezes”, disse a estudante Natália Kwaires Viena, 12. Moradora em São Paulo, ela foi ao ginásio com a prima Carolina, de 10 anos, e outros sete amigos. Só as duas crianças conseguiram se sentar, mesmo assim, espremidas.
O jogo começou e ninguém mais tirou os olhos da quadra. Torcedores roeram as unhas, socaram o ar, xingaram o juiz e vibraram com as jogadas dos atletas francanos. “Oi, olha o amendoim”, ouvíamos ao longe. Durante o jogo, uma diferença de 13 pontos do placar trouxe um pouco de alívio, mas a vantagem foi caindo aos poucos. No final, Assis passou na frente e o sofrimento tomou conta das arquibancadas. “Franca vai ganhar ou perder?”, quer saber Carolina. Pergunta impossível de ser respondida antes do apito final.
Nos últimos segundos, dois arremessos livres garantiram a igualdade no placar. Gritos de “Franca, Franca, Franca” tomaram conta do ginásio. Mais cinco minutos de sofrimento. Rebote conquistado, arremesso convertido, vitória garantida. Somente no último segundo da prorrogação foi possível soltar um grito entalado na garganta: “É campeão, é campeão”.
E-MAILS
A corrente de fé dos torcedores do Franca Basquete não foi montada apenas no Ginásio do Póli. Os computadores da rádio Difusora receberam durante a partida dezenas de e-mails de diversas partes do mundo. Londres, Paris, Natal, Ásia. De Bradenton, na Flórida, Estados Unidos, Cisso Silva fez questão de parabenizar o time francano pela conquista.
Os parabéns foram estendidos a equipe de esporte que passou horas ao vivo para levar ao público a emoção do jogo. “É um cumprimento que deve ser estendido a todos da equipe, ao time da cidade, seus administradores e aos próprios torcedores. Todos são responsáveis pela paixão que mantém vivo o basquete na cidade”, afirmou o locutor Carlos Zacarelli, notabilizado pela narração emocionada das vitórias de Franca na atual temporada.
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