Morto no domingo, Otávio Frias de Oliveira, o “seu Frias”, foi o mais importante jornalista brasileiro das últimas duas décadas. Era fundamentalmente empresário; era fundamentalmente empresário-jornalista. E foi com a mentalidade empresarial, com um pragmatismo absoluto, que forneceu as bases para o moderno jornalismo de opinião no Brasil.
Critica-se nele o fato de ter cedido ao Regime Militar nos anos 60 e também nos anos 70, quando trocou o diretor de redação Cláudio Abramo pelo jornalista Boris Casoy, após uma crônica de Lourenço Diaféria que desagradou os militares. A alternativa teria sido enfrentar os militares e ver seu jornal desaparecer.
Para chegar aonde chegou enfrentou todo tipo de dificuldades, fez vários tipos de acordos, superou um sem-número de crises, das quais a mais grave foi a quebra do Banco Nacional de Investimentos (BNI), do banqueiro Orozimbo Roxo Loureiro, do qual seu Frias tinha 10%.
Essa experiência de vida tornou-o extremamente intransigente nos negócios. A empresa sempre esteve acima de tudo. Mas ele também desenvolveu um lado generoso, de admiração pelos poderosos caídos, de resistência a qualquer tipo de lisonja.
Sua experiência com a Folha, que adquiriu nos anos 60, é um dos exemplos mais bem-sucedidos de estratégia empresarial continuada. Pouco a pouco foi acertando a condição financeira do jornal, inovando nos maquinários e na distribuição. No plano editorial, Cláudio Abramo daria a marca do jornal para as décadas seguintes, definindo um público leitor de centro-esquerda e um estilo de diagramação muito mais light.
Nos anos 80, com o jornal já saneado, sólido financeiramente, seu Frias finalmente foi a mercado e passou a contratar jornalistas de outros órgãos. No meio desse processo, teve a extraordinária percepção para a nova opinião pública que surgia e o que significava o movimento das “diretas já”. Nos anos seguintes, descobriu a reação da opinião pública contra o corporativismo que dominava a infante democracia brasileira, e lançou o slogan “de rabo preso com o leitor”, outra sacada de gênio.
Finalmente, constatou a importância decisiva de ressaltar os chamados valores intrínsecos do jornalismo - isenção, pluralismo, independência. Em nenhum momento transigiu com isso. Durante quinze anos a Folha foi a maior formadora de opinião do País.
Fez por convicção? Não, por estratégia empresarial. E aí reside sua contribuição ao jornalismo brasileiro. Sabia que um jornal, para ser grande, precisava conquistar o espectro mais amplo possível de leitores, ser plural, evitar ser o condutor dos povos, e ter independência em relação a todos os governos.
Em todo o período em que trabalhei na Folha, apenas uma vez seu Frias insinuou, de modo absolutamente suave, sua contrariedade em relação a um tema: uma entrevista com Fernando Collor, anos depois da sua queda.
Disse apenas o seguinte: “Você tem toda a liberdade para publicar a entrevista. Mas se o Collor voltar ao poder, provavelmente eu já terei morrido, mas juro por Deus que volto para puxar sua perna”.
POLÍTICOS
“Seu Frias” sempre foi amigo de Paulo Maluf. A Folha nunca deixou de bater duro em Maluf. Este nunca perdeu o respeito por “seu Frias”. O mesmo se aplicou a Lula, a FHC (que rompeu com o jornal após o episódio do Dossiê Cayman, em que foi falsamente acusado de ter contas no exterior). Isso se devia à sua absoluta franqueza e clareza para tratar com amigos e adversários.
LADEIRA ABAIXO - 1
O mercado continua apostando na valorização do real. Quando se soube do resultado da última reunião do Copom - dividido entre reduzir os juros em 0,25 ou 0,50 -julgou-se que o BC começaria a acelerar a queda dos juros para segurar a apreciação cambial. Muitos investidores saíram da posição “vendida” (aqueles que, na BMF, apostam na queda do dólar).
LADEIRA ABAIXO - 2
Quando foi publicada a Ata da reunião, percebeu-se que o Copom não ia abrandar a política monetária, acelerando a queda dos juros. Imediatamente houve uma elevação de 21,2% nas posições “vendidas”, dos que continuam apostando na apreciação do real. Os fundos externos continuam apostando que os juros permanecerão elevados. Com isso, o dólar continuará deslizando ladeira abaixo, rumo aos R$ 1,80.
agrishow-ribeirão
Com a expectativa de movimentar mais de R$ 900 milhões, começou ontem a 14ª Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) de Ribeirão Preto. A feira terá mais de 500 empresas expositoras, sendo algumas delas dos EUA, Itália, China, Inglaterra, Alemanha, Argentina, México e outros. Os visitantes poderão ver mais de 3 mil marcas de equipamentos agrícolas. São esperados mais de 140 mil visitantes até o dia 5 de maio.
ANGOLA - 1
Depois de um início desastroso, o governo socialista de Angola descobriu um modelo de colonização que está atraindo a atenção de consultores e agricultores brasileiros. Ele cria uma área enorme, de 30 mil hectares, mas podendo chegar a 400 mil ha, monta uma infra-estrutura e, depois, uma espécie de PPP (Parceria Público Privada). O empresário vencedor terá uma concessão de 5 a 15 anos para explorar a área.
ANGOLA - 2
Terá que se comprometer com metas e resultados. Mas - ponto central - o empreendimento terá 15% de participação dos pequenos agricultores. E o empresário vitorioso terá, entre suas obrigações, a de passar princípios de gerência e de tecnologia aos pequenos, reunidos em uma espécie de cooperativa.
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