‘Às vezes me pego chorando de saudades’


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A doméstica Luzia Patrício Monteiro toda segunda-feira arruma a cama dos quatro filhos presos: “Vai que eles resolvem chegar de surpresa. Quero estar com tudo pronto”
A doméstica Luzia Patrício Monteiro toda segunda-feira arruma a cama dos quatro filhos presos: “Vai que eles resolvem chegar de surpresa. Quero estar com tudo pronto”
“Não passo um minuto sem pensar em meu filho. Muitas vezes me pego chorando pela casa com saudade dele”. A vida de Márcia* mudou depois que seu filho de 17 anos foi levado para a Febem (Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor) em Ribeirão Preto, por se envolver com tráfico de drogas. “Há quase um ano, ele foi embora, mas toda semana eu vou vê-lo”. Mãe de três filhos, ela nunca imaginou que isso viesse a acontecer com o mais novo. “No início, eu nem saía de casa, fiquei em depressão e nem almoço eu fazia. Foi muito difícil”. Márcia estava separada e acredita que todos os problemas começaram com a morte de seu ex-marido. “Meu filho viu o pai morrer. Depois disso, ele sempre me dizia que sua vida havia acabado e que nada mais fazia sentido”. Márcia conta que, aos poucos, o garoto começou a se envolver com pessoas mais velhas. “Influenciado por esses ‘amigos’, ele foi mudando”. Ela ainda se lembra com detalhes do dia que seu filho foi preso. “Estava em casa quando os policiais chegaram atrás do meu filho. Eu não entendi nada. Eles me disseram que iam prendê-lo por envolvimento com drogas. Quase morri”. Desesperada, Márcia correu para a praça onde sabia que seu filho estava. “Não deu tempo, os policiais chegaram primeiro e o levaram”. Ela acredita na inocência de seu filho. “Os mais velhos colocaram a culpa nele por ser menor. É muito injusto. Obrigaram ele a mentir e bateram muito também. Quem está pagando por tudo é só o meu filho”. Desempregada, Márcia mora com uma de suas filhas e o genro numa casa no Bairro São Joaquim. Passa os dias imaginando a volta do filho. Na última Páscoa, ela viajou e ficou o dia todo com ele. “No domingo de Páscoa, nós almoçamos juntos e ele até me deu um ovo de chocolate. Choramos muito. Foi quando me abraçou e senti que nossa vida iria mudar. Sei que ele vai sair daquele lugar e ser um novo menino”, disse. Márcia pretende abrir um comércio em Franca. “Penso em montar um restaurante. Já me falaram que eu cozinho muito bem e é o que eu gosto de fazer. Será um modo de recomeçar minha vida”, conclui.

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