‘Foi o dia mais triste da minha vida’


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Com seu outro filho, Márcia* ainda tenta se acostumar com a ausência do primogênito: “Não consigo me conformar”
Com seu outro filho, Márcia* ainda tenta se acostumar com a ausência do primogênito: “Não consigo me conformar”
É numa simples casa de três cômodos que Joana* de 41 anos, divide seu quintal com mais quatro famílias diferentes. Há seis meses, a vida dela se transformou. Numa manhã comum, ela recebeu a notícia de que um de seus filhos estava a caminho da prisão. Mãe de quatro jovens, Joana se desesperou. “Não sabia o que fazer, só conseguia chorar. Foi como se tivessem me tirado a vida”. Seu filho está há seis meses na prisão. Ela ainda não se acostumou com a ausência. “Nunca vou me acostumar. Vivo de remédios para controlar a pressão. Se não tomo, passo mal”. Seu filho foi preso por roubo à mão armada. Joana ainda tenta compreender o que o levou a praticar o crime. “Quando perguntei a ele porque ele tinha feito isso, ele me respondeu que queria me dar uma vida melhor. Foi o dia mais triste da minha vida”. Na casa de Joana, não há conforto, mas sempre viveram (ela, o marido e os filhos) com dignidade. “Ele ajudava o pai como servente. Não ganhava muito, mas já era um dinheirinho a mais na renda da família. Nunca pedi mais do que tínhamos”. Quando seu filho conseguia serviço, ganhava em torno de R$ 14 por dia, dinheiro que hoje faz falta à família. “Nem sei quando foi a última vez que entrei num supermercado para fazer compra. Às vezes, nem tenho o que dar pro meu filho comer, nada mesmo (sic)”, completou. Hoje, com o corpo cansado e fraco, ela já não encontra forças para trabalhar. “Recebo auxílio dos vizinhos e da minha irmã porque não consigo mais trabalhar”. Por causa disso, as contas de Joana estão atrasadas. “Não sei como não vieram cortar minha luz”, disse e ainda completou. “Prefiro ficar sem energia em casa do que ver meus filhos passando fome”.

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