Teatro do Pé apresenta Patativa do Assaré


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Antônio Gonçalves da Silva, poeta e compositor popular. conhecido como Patativa do Assaré, é um dos maiores representantes da cultura nordestina do Brasil. Morto no dia 8 de julho de 2002, em sua casa, aos 93 anos, sua vasta obra retrata muito do povo nordestino e é um prato cheio para colecionadores da literatura da região. Aos cinco anos, Patativa teve sua vocação de poeta e cantador despertada, quando ainda vivia na roça em Serra de Santana, município de Assaré, no sul do Ceará. Primogênito de cinco irmãos, começou cedo trabalhando na enxada. O fato de ter apenas seis meses de escolaridade não impediu que sua veia poética florescesse. E que se tornasse um cantador de seu povo e de seu universo, ofício que, mais tarde, o tornou reconhecido internacionalmente. Patativa caracterizava-se como personagem de si mesmo. Lançou diversos LPs, nos quais cantava seus próprios poemas. Em reconhecimento ao seu trabalho (publicou, de 1956 a 2002, dez livros), foi agraciado por universidades do Ceará com o título de doutor "honoris causa". Embora tivesse facilidade para fazer versos desde menino, nunca quis ganhar a vida em cima de seu dom de poeta. Mesmo tendo feito shows pelo sul do país, quando foi apresentado ao grande público pelo cantor Fagner no final da década de 70, sempre se considerou o mesmo camponês humilde, sem negar suas raízes, permanecendo a vida toda em sua terra natal. Sua importância deve-se à possibilidade de construir, através de seus poemas, um perfil emotivo do povo nordestino. A compreensão de sua obra resgata seu vínculo profundo com o lugar de onde veio, também pela literatura de cordel, que se alia à diversão, informação e à capacidade de instrumento de alfabetização dos nordestinos, que são retratados hoje e amanhã, às 20 horas, no espetáculo Argumas de Patativa, penúltima atração da Viagem Teatral, projeto promovido anualmente pelo Sesi (Serviço Social da Indústria). Quem traz Patativa ao palco francano é o grupo Teatro do Pé, de Santos. Apesar de novo (completou quatro anos no final do ano passado), já recebeu diversos prêmios. Além de atores, o grupo é formado por um preparador corporal, professor de teoria musical, dramaturgo, coreógrafa e pessoas que trabalham juntas na boa vontade de exercitar a arte. Segundo Mateus Faconti, diretor do grupo, muitos elementos se justapõem para o desenrolar da peça. "O espetáculo foi feito a partir de muitas linguagens. Tem dança, música ao vivo o tempo inteiro, cenário, bonecos feitos pelo grupo, humor, drama, suspense... São multilinguagens e multiemoções", afirma ele, que se diz contente pela participação do grupo no projeto do Sesi. "A Viagem Teatral sempre foi um sonho do grupo e é um marco na história do Teatro do Pé", comemora. Danilo Nunes, Íris La Cava, Juliana Bordallo e Mateus Lopes são os atores que emocionam o público com "A Morte de Nanã", "O Cego Zé Luís", "Cruzes pela Estrada" e "A Maldição do Cercado", narrativas encenadas ao longo da peça, além do musical "Cabra da Peste", onde os atores dançam, tocam e cantam o poder de superação e a força de um povo que, de acordo com Patativa, "com riso na boca, zomba do sofrê".

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