Os americanos do etanol


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Membro da Interamerican Ethanol Commision, ex-funcionário do Departamento de Estado norte-americano, William Perry é o homem de Jeb Bush para a Comissão do Etanol, montada para azeitar as relações entre empresários brasileiros e norte-americanos ligados ao tema. Perry foi conselheiro sênior latino-americanista do Partido Republicano, servindo em tempo parcial ao governo. Serviu ao Conselho de Segurança Nacional e ao Comitê de Relações Exteriores do Senado. Há décadas é considerado o mais importante brasilianista do partido. Em setembro de 2002, quando ficou claro que Lula venceria as eleições, coube a ele os primeiros movimentos de aproximação com o novo governo. Em novembro esteve na Granja do Torto com o sub-secretário Otto Reich, com o Chafe de Planificação Política para América Latina e o encarregado do Brasil no Departamento de Estado. Do outro lado, Lula, Antonio Palocci, José Dirceu e o senador Aloizio Mercadante. No início se estranharam um pouco pela falta de familiaridade do PT com partidos estrangeiros, ainda mais o Partido Republicano. Ao contrário do PSDB de Fernando Henrique Cardoso, muito ligado ao Partido Democrata e ao ex-presidente Bill Clinton. Mas pintou afinidade rapidamente, ao contrário do governo argentino de Nestor Kirchner, com o qual não lograram aproximação. Em dezembro, coube a Miller e Reich organizarem a visita de Lula a Washington. Foi um sucesso diplomático de lado a lado, porque não são usuais visitas antes da posse, nem visitas seis meses depois da posse, como ocorreu com Lula. Em vista disso, o Departamento de Estado adotou uma política clara em relação ao Brasil: colaboração no que houver concordância; não atrapalhar no que houver divergência. O tema energia surgiu no PR ainda na campanha de 2000, estimulado pelo próprio Miller, que queria somar fatos novos ao Nafta, que era a grande estrela da política externa desde 1990. Mas na época não se deu o sentido de urgência, mesmo porque o preço do petróleo estava em apenas US$ 22,00 o barril. Agora, o tema pegou de vez, no embalo do relatório de mudanças climáticas. Como um americano pragmático, Miller não acredita muito na hipótese de que a mão do homem mudará o planeta. Acha que a atual onda de calor é apenas conseqüência da entrada do mundo em uma nova era, de temperaturas mais elevadas. O homem pode apenas contribuir um pouco mais para o processo. Mesmo assim, a humanidade tem enorme poder de auto-correção. É só conferir o índice de poluição das grandes metrópoles nos anos 70 e hoje. O grande papel da Comissão será, além de aproximar empresários dos dois países, atuar como lobbista junto ao Congresso e à opinião pública americana. No Senado há a atuação muito drástica dos representantes de Estados produtores de milho, como o Yowa. O desafio será aumentar a mistura de álcool na gasolina. Aumentando, se verá que o milho americano não dará conta do recado. E que o seu uso indiscriminado provocará distorções na cadeia do milho e do frango. Nesse momento, as grandes empresas americanas, fundamentalmente a Cargill e a ADM, perceberão que o melhor será abrir o mercado. CHILE E VENEZUELA Dos países da América Latina, Miller considera o Chile como o mais redondo, com uma economia moderna e inclusão social. Há décadas, por conta do petróleo, a Venezuela deve ter uma das rendas per capita mais altas do mundo. Além do petróleo, tem gás e alumínio. Mas nada fez de 1920 a 2000, consolidando em Miller a convicção de que tudo o que vem de graça não estimula um país a valorizar o trabalho e a construção. CULTURA Na Venezuela não há a cultura do trabalho, diz ele. Lá, quem trabalha são colombianos, equatorianos e imigrantes que chegaram nos anos 90. Mas o grande desafio é o Brasil. Ele se surpreende com a quantidade de trabalho que se tem por fazer, para conseguir integrar a multidão de miseráveis ao mercado de trabalho. De qualquer modo, aquihá sistema político estável e o investimento está chegando. A ESQUERDA Para um país crescer, diz ele, o fundamental é capital, tecnologia, gerência e educação. O país torna-se desenvolvido quando qualquer "idiota da aldeia" tem condições de produzir peças de geladeira para investir. Miller acredita ter sido um avanço um partido de esquerda responsável. Diz que o Partido Socialista Chileno era pior que o comunista e o Partido Socialista Espanhol era títere do Estado. FHC E LULA Na entrevista que me concedeu para o livro Cabeças de Planilha, na parte que não foi publicada - porque não se referia ao tema tratado - o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso confidencia que a saída de Lula seria convidá-lo e ao PSDB para uma conversa de onde emergisse um grande pacto nacional. As críticas à aproximação do PSDB com Lula se devem ao fato de ele não estar no centro das articulações. BC E INFLAÇÃO Após as críticas por ter superestimado o reajuste dos preços administrados, o Departamento Econômico do BC começa a caminhar lenta e gradualmente em direção ao mercado. Manteve a previsão de não haver reajustes para a gasolina. Manteve estável a expectativa dos preços de gás de cozinha e reduziu a estimativa para o reajuste dos preços das tarifas de energia elétrica, de 3,3% para 2,2%. DESEMPREGO A pesquisa de emprego do IBGE para março de 2007 mostrou estabilidade em relação ao mesmo mês de 2006 em quase todas as regiões. Houve uma exceção da Região Metropolitana de São Paulo, com aumento de 10,6% para 11,5% na taxa de desemprego. E aumento do emprego em outras duas regiões, Recife com a taxa passando de 16,5% para 12,0% e RJ passando de 8,5% para 7,4%.

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