PCC mandou torturar e matar traficante de Franca


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A francana Juciléia Garcia Duarte, 27, foi torturada e morta por determinação do PCC (Primeiro Comando da Capital). Dois meses após o bárbaro crime, a Polícia Civil de Ribeirão Preto, responsável pela investigação, admite ter reunido provas suficientes para fazer a acusação. Dois bandidos ligados à facção já foram indiciados como autores do homicídio. Os motivos são mantidos sob sigilo. As investigações prosseguem e outras pessoas podem ser presas. A sessão de tortura foi flagrada por escutas telefônicas. Jusciléia morava no Bairro Santa Luzia, zona norte de Franca. Estava envolvida com o tráfico e seria uma das maiores distribuidoras de crack e ecstasy da cidade. Há dois anos, ela e a mãe foram presas em flagrante acusadas de venderem drogas. Há exatos dois meses, no dia 27 de fevereiro, uma terça-feira, a jovem foi encontrada morta com um tiro na cabeça e com marcas de tortura. Foi espancada e amarrada antes de morrer. O corpo dela estava em um matagal nas margens do Rio Pardo, próximo à divisa de Ribeirão Preto com Jardinópolis. Policiais constataram que ela apresentava sinais de espancamento e uma lesão provocada por arma de fogo na cabeça. Parte do corpo e o pescoço estavam amarrados por um fio. O caso é apurado pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) da vizinha cidade. No dia seguinte ao encontro do corpo, o Comércio da Franca publicou matéria relacionando o assassinato ao crime organizado. Um "general" do PCC (líder da facção) determinou aos comparsas, de dentro da cadeia, que torturassem a francana. Ele acompanhou a barbárie pelo celular. O telefone estava grampeado. Oficialmente, a polícia nega a existência das gravações. Na tarde de ontem, a delegada da DIG de Ribeirão, Maria Beatriz Moura Campos, falou com a reportagem por telefone e confirmou o envolvimento do crime organizado na morte de Juciléia. "Ela morreu por determinação da facção. As provas estão juntadas nos autos, mas não posso divulgar detalhes para não atrapalhar as investigações". Na terça-feira, a policial indiciou Dagmar Rogério Siqueira, 31, e Marcos Paulo Flores, 29, ambos moradores em Ribeirão, pelo crime. Provas confirmariam a participação deles no crime. Por enquanto, devem responder em liberdade. MOTIVAÇÃO A delegada Maria Beatriz é cautelosa ao falar sobre o crime. Evita divulgar detalhes tanto do número de participantes, quanto dos motivos pelos quais Juciléia foi brutalmente assassinada. "Não posso adiantar nada. As investigações estão em andamento e outras pessoas podem ser presas". Um policial ouvido pela reportagem no dia do crime disse que a francana teria sido torturada até a morte, pois teria tentado matar, sem sucesso, a mulher de um dos líderes do PCC em Ribeirão Preto, atualmente preso. A mulher estaria comandando os negócios da facção com a prisão do marido e a morte dela serviria para enfraquecer o grupo na cidade, abrindo portas para traficantes de outras regiões.

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