Livros são vistos como ótimos companheiros. Com eles, entretenimento e conhecimento são garantidos em horas de estudos ou diversão. Tratar de sua repercussão nos dias de hoje (em 23 de abril comemorou-se o Dia Mundial do Livro) seria um bom início de conversa, porém, não traria tanto esclarecimento quanto se falássemos um pouco sobre seu passado, fator essencial para narrarmos sua trajetória.
Tudo começou em Biblos, nome grego de uma cidade fenícia, hoje região do Líbano. Biblos é o equivalente a papiros, rolos onde se escrevia na antigüidade. Biblos, de que deriva biblioteca, resiste e é um foco de atração para arqueólogos devido às camadas sucessivas de destroços resultantes de séculos de habitação humana. No princípio, o conhecimento era fixado no papiro, depois nos códices, antepassados dos livros. E depois veio Alexandria, cuja biblioteca chegou a acolher 700 mil volumes, mas foi destruída num incêndio. Em 2002 inaugurou-se a Nova Biblioteca de Alexandria, que tem como objetivo principal devolver à cidade o título de grande pólo cultural, perdido há 1500 anos.
Não só Alexandria se destaca entre os pontos culturais do mundo. Os livros estão em todos os lugares e encantam muitos leitores, como é o caso de José Mindlin, 92 anos, o maior colecionador de livros do Brasil.
Quase toda cidade brasileira tem um lugar destinado a acolher e preservar livros. Franca também. Além da Biblioteca Municipal, do Colégio Champagnat, os francanos dispõem de bibliotecas em universidades, residências (a biblioteca do saudoso Professor João Penha é composta por cerca de 7 mil volumes, a maioria deles sobre Filologia e Lingüística) e em algumas ONGs como o Grupo Educacional Veredas. Este último espaço passou por reformas físicas e agora está sob a reorganização da estudante de biblioteconomia na Ufscar, Marina Ferreira de Paula, 24.
Segundo ela, os livros doados estão em fase de catalogação. "Nós estamos fazendo uma seleção. Depois disso, separamos os livros por gêneros e logo depois eles são etiquetados e colocados na estante com o registro no computador, para uma busca mais precisa", relata a jovem, que fala sobre a demanda de livros por parte dos moradores do bairro onde se encontra o Veredas. "Muitas crianças vêm em busca de livros literários e didáticos, e adultos os procuram para fazer pesquisas".
No Champagnat o procedimento se repete. A biblioteca existe há mais de 50 anos e tem em torno de 27 mil usuários. De acordo com Celeide Chereghini Maniglia, 50, bibliotecária-chefe, a busca é constante. "Entre os livros mais procurados em março para leitura estão Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo (porque teve leitura exigida para trabalho escolar) e Jesus, maior psicólogo que já existiu, do autor Mark Baker", afirma ela, que completa ser grande a receptividade do público. Prova disto são os próprios freqüentadores da biblioteca. Um deles, Cassiano Mendes Cintra, 18, estudante do cursinho da Unesp, diz que o hábito de ler contribui bastante para o crescimento cultural das pessoas. "Ajuda muito pois ler é imprescindível. Quanto mais você lê, melhor se torna".
Feiras que acontecem em Franca são bem recebidas e lançam obras de autores da cidade, como a Feira do Escritor Francano, marcada para agosto na Praça Nossa Senhora da Conceição, chegando à sua 6ª edição. Para o proprietário da Ribeirão Gráfica e Editora, Fernando Oséias da Silva, o ritmo de trabalho está intenso. "Autores de Franca sempre lançam seus livros na feira.
Um deles é Luiz Cruz, que está sempre em atividade", diz. Outras atrações que têm como produto o livro movimentam o público e neste particular as editoras têm papel importante. Uma destas que já se firmou na cidade é a Semana do Livro Espírita, que ganhou força e mais espaço com a comemoração dos 150 anos de existência de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita. Além desta Semana, a data será festejada em forma de peça de teatro. Neste sábado, dia 28, na Fundação Educandário Pestalozzi, "Salão Anália Franco", será apresentado o espetáculo Senhor Kardec, de Antônio Veiga. O preço dos ingressos é de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (para estudantes e quem quiser comprar antecipadamente).
Sobre o futuro do livro impresso, pouco se pode adiantar. Afinal, não seria fácil nos desprendermos de algo tão tradicional e ainda hoje tão presente. Espera-se que o livro resista ao tempo e a tudo. Talvez ganhe uma outra forma. Mas a essência de transmitir algo pela palavra permanecerá.
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