A qualidade do ensino oferecido pelas escolas das redes públicas municipal e estadual na região de Franca acaba de ser reprovada. Uma avaliação feita pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) mostrou que, em 17 das 20 cidades da região, a educação não consegue atingir a nota cinco (apenas Franca, Nuporanga e Batatais ficam de fora). O dado faz parte do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que analisou o desempenho das escolas públicas de 1ª a 8ª séries, levando em consideração o rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e os resultados do Censo Escolar, do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e da Prova Brasil em 2005.
O resultado da região assusta. Cinco cidades estão entre as piores do Estado, que teve o sistema de ensino de 500 municípios analisado. A situação mais preocupante é a de Guará e Miguelópolis que ocupam a lanterna, com médias de 2,3 e 2,5 para as escolas de 5ª a 8ª série da rede estadual. Jeriquara e Buritizal também obtiveram desempenho pífio, ambas estão entre as 10 piores do Estado no quesito ensino municipal de 5ª a 8ª série. Ribeirão Corrente está na mesma situação, mas para as escolas de 1ª a 4ª séries.
A única com motivos a comemorar é Batatais. Lá, a qualidade do ensino oferecido pela rede estadual de 1ª a 4ª série é uma das melhores do Estado. Com nota de 5,8, a cidade conquistou a nona colocação no ranking. Apesar da nota baixa, Franca também não está entre as piores do Estado. Entre as escolas estaduais de 1ª a 4ª série, conseguiu média de 5,4 e o 23º lugar da lista. A mesma nota não se repetiu para a faixa de 5ª a 8ª série, na qual a nota obtida (4,8) ficou abaixo da média.
As melhores notas obtidas pelas cidades do Estado foram: 6,8 de Barra do Chapéu, para a rede municipal de 1ª a 4ª série, e 6,7 de Torrinha, para a mesma faixa na rede estadual. De 5ª a 8ª série, na rede municipal, a melhor nota foi de Porto Ferreira, com 5,9, e nas estaduais, 6,4 de Limeira.
Procurada para comentar os resultados, a Secretaria Estadual da Educação não quis se pronunciar. Segundo a assessoria de imprensa, a secretária estadual da pasta, Maria Lúcia Vasconcelos, ainda estava estudando os dados gerais do Estado e fazendo contatos com o Ministério da Educação para então falar a respeito do estudo. "Primeiro é preciso ver o porquê desses números, o que foi realmente avaliado, para depois comentar as notas". Na Diretoria de Ensino de Franca, responsável por dez municípios, a dirigente regional Ivani Marchesi estava em reunião durante a tarde e não retornou as ligações.
Em nota divulgada ontem, Carlos Ramiro, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores Oficiais do Estado de São Paulo), disse que os números não são uma surpresa. "Pela infra-estrutura e condições de trabalho, o resultado não podia ser outro. Entre as ações para mudar isso, estão a criação do Sistema Único de Ensino, o aumento da carga horária e a participação da sociedade no contexto escolar".
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