Efeitos do descontentamento


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"Não cobiçarás casa, propriedade e gado do teu próximo, e tudo o que lhe pertence!". (Décimo Mandamento) As pessoas que estão descontentes com a própria vida não imaginam o quanto essa atitude de insatisfação lhes é prejudicial. Simples pensamentos negativos, além de serem danosos a quem os tem, acabam afetando o ambiente e contaminando também àqueles com quem convivem. De onde vem esse sentimento que domina certas pessoas e as levam a invejar tudo que o outro possui? Muito provavelmente ele se origina da insatisfação e do descontentamento. Primeiro desponta o desejo pela propriedade ou felicidade alheia, o que desencadeia a cobiça, muitas vezes disfarçada pelos subterfúgios que ocultam astutas tentativas de tomar posse do bem alheio ou até mesmo de destruí-lo. É algo que nos leva a refletir e a supor que se o Décimo Mandamento tivesse sido respeitado corretamente, muita coisa seria diferente e, por certo, muito melhor. Como bem disse o escritor alemão Oskar Ernst Bernhardt, mais conhecido pelo seu pseudônimo Abdrushin, e autor do livro A Mensagem do Graal: "Os seres humanos desconhecem essa força propulsora de tantos males e ignoram que essa inveja domina atualmente sob múltiplos aspectos todos os seus pensamentos e todos os seus atos! Ela reside no ser humano isolado, assim como nos povos inteiros, dirige países, gera guerras bem como partidos e luta eterna, onde quer que duas pessoas tenham de conferenciar sobre algo!" (trecho do livro Os Dez Mandamentos). O que acontece no plano individual, também ocorre no plano geral. Por isso é importante estar atento às próprias emoções, sensações e pensamentos, pois eles geram energia que pode colocar os seres humanos uns contra os outros, cada qual apontando as falhas alheias, sem olhar para as suas próprias, agindo por impulso e sem penetrar no âmago da questão. Atualmente observa-se que as pessoas estão divididas quanto a religião, economia e política, posto que cada grupo buscou colocar em primeiro lugar os próprios interesses, as próprias cobiças, ao invés de buscar as identidades em prol de uma construção harmoniosa e pacífica. Tudo pode ser desfrutado aqui na Terra, só que não deve ser em prejuízo do próximo. E é o que acontece quando os seres humanos se tornam escravos de suas cobiças que tanto podem se referir à posse de bens materiais, como também levam a difamar a reputação dos seus semelhantes ou dar lugar a atos desrespeitosos. Vemos o progressivo aumento do sofrimento e da miséria sobre o Planeta. Numa tentativa de mudar esse status quo, algumas pessoas começaram a buscar as religiões. Muitas passaram a falar mais intensamente sobre o Apocalipse e o final dos tempos. Mas o mundo não vai acabar. Trata-se apenas de um momento de turbulência decorrente do encerramento de um ciclo. Agora a humanidade precisa arcar com as conseqüências de seus atos, praticados ao longo de milênios. Face à desarmonia, os efeitos são, em sua grande maioria, pesados e dolorosos. Como isso tudo vai se desenrolar é muito difícil prever, mas o fato é que as tendências apontam para um futuro ameaçador, tanto no que diz respeito ao relacionamento entre pessoas e povos, como quanto às prováveis catástrofes naturais. Será um tempo de colheita e purificação, no qual os seres humanos terão que reaprender a viver de forma harmônica e a serem felizes. Ou perecer, em conseqüência de seus próprios erros e escolhas. Se ao invés de ficarem disseminando insatisfação, tivessem o bom senso de se perguntarem: quem somos nós? de onde viemos? para onde vamos? - muita coisa, certamente seria diferente. Com esse conhecimento teriam como construir uma vida melhor. Se hoje nos deparamos com um mundo áspero e violento, os responsáveis somos nós mesmos . É chegada a hora de substituir a amargura por ações e pensamentos que nos levem a atingir, no futuro, a paz e a alegria tão sonhadas. BENEDICTO ISMAEL CAMARGO DUTRA é graduado pela FEA/USP, autor de livros e palestrante.

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