De fato, ser um pária da sociedade não justifica praticar crimes. Aliás, comitês de direitos humanos não conseguem a liberdade de ninguém. A absolvição de um réu se dá através do processo judicial em que militantes de qualquer natureza não exercem influência, salvo como testemunhas de fato. Quando tenta-se justificar a criminalidade com o argumento da pobreza, na verdade é um equívoco de acadêmicos sem consistência que perpetuam o preconceito com o pobre. Para a elite, o pobre é preguiçoso, viciado, ignorante e propenso ao crime. É o mesmo preconceito que havia na época da escravidão contra os cidadãos de origem africana. Modernizamos o preconceito estendendo-o a todos os pobres, brancos e negros. O crime é um fenômeno social, ou seja, é necessário conhecer todos os fatores que resultam na transgressão penal. A elite também comete crimes. Todos nós já ouvimos falar das festinhas regadas a drogas e estupros nos fins de semana em chácaras alugadas. A violência doméstica é comum entre autoridades e empresários. A sonegação de impostos é crime praticado só por quem tem dinheiro. Sábio é o refrão da música que canta: “o crime do rico a lei esconde, ao pobre nada é permitido”.
Alexandre César Lima Diniz
é advogado
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