Ver, analisar, sentir, perceber. Tudo com o toque, com a aproximação. Portadores de necessidades especiais, inclusive deficientes visuais, têm agora a oportunidade de conhecer o museu e as obras de Candido Portinari (1903-1962). O artista, que saiu de Brodowski e ganhou o mundo teve a casa onde viveu transformada em museu na década de 70 e, agora, adaptada para receber um público especial.
Tendo a inclusão como norte, a direção do Museu Casa de Portinari, da Secretaria de Estado da Cultura, em Brodowski, criou uma forma de levar ao conhecimento de todos o talento de Candinho, um dos maiores representantes plásticos do modernismo no Brasil.
É o Projeto de Acessibilidade para Públicos Especiais, voltado para pessoas com limitações sensoriais, físicas e mentais.
Para expor Portinari de forma especial, equipes de artesãos locais reproduziram as obras e histórias pintadas nas telas e contada nos poemas de Candinho. Réplicas de quadros em alto-relevo e maquetes das mais importantes obras do artista expostas no Museu possibilitam a acessibilidade física e sensorial por meio do toque ao acervo de Portinari.
"Trabalha-se toda a parte de sensibilização ao se tocar nas maquetes e nas réplicas das obras", afirma a museóloga Angélica Fabbri, diretora do Museu. Ela explica que o projeto é permanente e tem como objetivo contribuir para a difusão do conhecimento e da cultura. "O projeto agrega uma série de valores ao local. Acredito que os acervos dos museus podem se colocar nessa linha de serem ferramentas de ações sociais, seguindo a idéia da inclusão", disse Angélica.
A diretora afirmou que o Museu sempre teve um compromisso social. "Hoje estamos vivendo um novo momento, onde a inclusão é alta, não pode mais passar despercebida. Qualquer tipo de instituição, seja ela pequena, média ou grande, deve se adequar".
No Museu, os deficientes visuais contam ainda com um “kit multimídia”, uma espécie de discman com fones de ouvido, que narra os elementos importantes na descoberta da história do artista. Para levar mais conhecimento, informações sobre a vida e obra de Candinho foram transcritas, em braile, em um livro especial à disposição no Museu.
Ao mesmo tempo, rampas de acesso permitem que cadeirantes circulem livremente pelos cômodos da casa, possibilitando o acesso ao espaço de exposição e acervo do Museu. "Criamos um percurso, onde foram feitos elementos próprios que permitem que os deficientes dialoguem com a nossa exposição. Eles podem vir a qualquer momento, pois será oferecido, de forma permanente, atendimento especializado a esse público-alvo", afirmou Angélica.
A diretora do Museu vê na exposição uma forma de lembrar as aspirações do próprio artista. "Portinari sempre foi envolvido com as questões sociais. Como o local é guardião da memória dele, não podemos apenas nos limitar a divulgar as obras dele e ponto final. Temos que fazer algo mais", analisa. A exposição é permanente, gratuita e está aberta ao público em geral. Grupos de escolas, entidades ou instituições devem fazer o agendamento da visita pelo telefone (16) 3664-4284.
Serviço:
O Projeto Acessibilidade para Públicos Especiais fica no Museu Casa de Portinari, na Praça Candido Portinari, 298, em Brodowski. O atendimento, de terça a sexta-feira, acontece das 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas. Aos sábados, domingos e feriados, das 9 às 12 horas e das 13 às 17 horas. Informações: (16) 3664-4284
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