Sua droga acabou? Precisa de uma porção de maconha? Agora, não é mais preciso ir até a boca-de-fumo nas quebradas da cidade para comprar um baseado. Ligue para o disque-drogas: 0800... A encomenda será entregue com segurança e rapidez no local combinado. Era mais ou menos assim que funcionava um rentável (e ilícito) negócio montado por um morador do Parque Vicente Leporace, zona norte de Franca. Ele tinha uma clientela especial, formada basicamente por universitários. Tinha, pois a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) entrou na linha e acabou com o "maconha-express".
Após descobrir que o desocupado WVS, 26, atendia aos usuários no sistema Disque-drogas, os policiais conseguiram autorização judicial para grampear o telefone celular dele. "Durante o rastreamento, interceptamos conversas e constatamos que várias pessoas ligavam para ele com a finalidade de adquirir entorpecentes. Ficou comprovado que ele vendia drogas sob encomenda", disse o delegado Pedro Luiz Dallaqua.
Os telefonemas começaram a ser gravados no dia 28 de março. Foram interceptadas quase cem ligações no período. Em pelo menos 20 diálogos, ele negociou, de maneira disfarçada, a venda e entrega de drogas em domicílio. A Dise apurou que a maior parte das ligações partia de universitários residentes na moradia estudantil da Unesp, situada nas margens da Avenida Ismael Alonso y Alonso. Eles usavam uma espécie de código nas conversas para tentar enganar os policiais.
Desconfiado que o celular poderia estar grampeado, o traficante anotava o número do cliente - a maioria dos telefonemas era feita do orelhão localizado perto da moradia - e ligava de outro telefone público para fechar a negociação. Por isso, o grampo não gravava o desfecho da venda. Foi assim no dia 29 de março, quando WVS recebeu a ligação de um estudante. "Aqui é o João*.
Sou colega do José*, ali da morada da Unesp. Tem jeito de arrumar uma paradinha (porção de maconha) para mim de 50?". O traficante pergunta de onde o cliente havia ligado e fica sabendo que é do orelhão. "Peraí, que vou ligar nele, então".
No início da noite de terça-feira, os investigadores flagraram o momento em que WVS recebeu a ligação de outro universitário pedindo para ele fazer uma entrega. "Aqui é o Paulo*, cara, tudo bom? Tem como você dar uma passada (levar a droga)? Vai ter que ser lá na moradia".
Os policiais foram para o local antes e ficaram de campana. Por volta das 21 horas, avistaram o traficante chegando em um Santana. Ele foi abordado e surpreendido com porções de maconha, dinheiro e o telefone que havia sido grampeado. "Depois, fomos até a casa dele e encontramos outras porções da droga já embaladas e prontas para serem vendidas. Também apreendemos uma quantia em dinheiro, possivelmente, adquirida com o tráfico", finalizou o delegado Pedro Dallaqua.
Durante depoimento, o rapaz disse informalmente que era apenas usuário e negou vender drogas. Como as provas indicavam o contrário, ele foi autuado em flagrante por tráfico e mandado para a cadeia do Jardim Guanabara.
*Nomes fictícios
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