Sapateiros demitidos estão de volta


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Trabalhadores fabricam calçados em uma indústria de Franca: empresas do setor começam a recuperar empregos perdidos no final do ano passado
Trabalhadores fabricam calçados em uma indústria de Franca: empresas do setor começam a recuperar empregos perdidos no final do ano passado
Um levantamento do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), órgão ligado ao Ministério do Trabalho, divulgado nesta quarta-feira, mostra que boa parte dos 6 mil trabalhadores da indústria de calçados demitidos no final do ano passado já estão de volta ao batente. Pela pesquisa, só nos primeiros três meses do ano, foram abertas em Franca mais de 5,3 mil vagas, a maioria na indústria calçadista (4.595). Os novos postos são resultado da rotatividade de mão-de-obra típica do setor, que demite no final de um ano para recontratar no início do próximo. As cerca de mil vagas restantes foram abertas nos setores de serviços e comércio, verdadeiros geradores de empregos na cidade. O subdelegado do Trabalho em Franca, Jamil José Leonardi, disse que não há como determinar o número exato de trabalhadores demitidos e reempregados, mas garantiu que a grande maioria das vagas abertas na indústria foi preenchida por trabalhadores desligados no final do ano passado. “Todo ano é assim. Os trabalhadores acabam demitidos em novembro ou dezembro e recontratados no ano seguinte. Só não conseguimos medir ainda os números exatos deste processo”. O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, acusa as indústrias de usarem este tipo de expediente para achatar os salários pagos aos trabalhadores. “É fácil você demitir todos os seus pespontadores com um salário e, alguns meses depois, recontratá-los por um valor menor. Essa é a boa e velha rotatividade que os empresários conhecem e utilizam muito bem”. Jorge Félix Donadelli, presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca, admite: “As indústrias não têm como arcar com o custo dos trabalhadores em épocas em que não há produção, por isso, demitimos”. Ele justifica a recontratação em 2007 com o aquecimento do mercado interno. “Passamos por um momento muito difícil em 2006, mas agora, aos poucos, estamos recuperando o espaço e as vendas no mercado interno, o que nos obriga a recontratar a mão-de-obra dispensada no final do ano passado”. Donadelli, no entanto, nega que o salário pago na hora da recontratação seja menor. “Isso não existe. Nenhum empregado aceita trabalhar por menos. Eles (os sa-pateiros) não se sujeitam a isso não”.

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