A dona de casa Raimunda Gomes da Silva Meireles, 37, nem lembra quando foi a última vez que votou. Mineira de Montes Claros, está em Franca há sete anos e, nesse período, não se preocupou em transferir o título emitido em São Francisco (MG) ou justificar o voto em nenhuma das eleições. Resultado: ontem precisou enfrentar fila para regularizar o documento, que corria o risco de ser cancelado.
Pelo balanço do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nos três cartórios eleitorais de Franca, inclusive a 240ª zona eleitoral, que abrange os municípios de Cristais Paulista, Restinga, Ribeirão Corrente e São José da Bela Vista, 4212 eleitores com histórias semelhantes a de Raimunda estão em débito com a Justiça Eleitoral. Somente em Franca, são 3891 faltosos. O prazo para regularização do título eleitoral vence hoje. Até no início da tarde de ontem, menos de 10% tinham resolvido a situação. A expectativa é de que o movimento hoje seja grande hoje nos cartórios, que ficam à Rua Major Claudiano 2014, Centro (junto ao prédio do Banco do Brasil). As unidades funcionarão do meio-dia às 18 horas. Não haverá atendimento extra.
Estão em situação irregular estão as pessoas que não votaram nem justificaram a ausência nas três últimas eleições consecutivas. Além de correr o risco de perder o título, o eleitor não pode tirar documentos de identidade ou passaporte, renovar a matrícula em estabelecimento de ensino oficial, inscrever-se em concurso público e participar de concorrências em órgãos públicos, entre outras penalidades.
Marcelo Queiroz Ferreira, chefe do cartório da 46ª zona eleitoral de Franca, acredita que, como de costume, as pessoas deixarão para regularizar o título na última hora, por isso prevê longas filas. Quem não conseguir, estará com o nome e o número do título em uma lista de faltosos que será divulgada no dia 15 de maio pelo TSE. Para saber sobre a situação de seu título, o eleitor pode fazer uma consulta por meio da internet, na página do Tribunal (www.tse.gov.br). “Depois que tiver o título cancelado, o eleitor só regulariza a situação ao pagar uma multa que será arbitrada pelo juiz eleitoral por cada pleito que deixou de votar”.
Para Joalina de França, chefe do cartório da região, o maior problema é em São José da Bela Vista, onde 94 eleitores correm o risco de ter o documento cancelado. “Fiquei três eleições sem votar por problemas particulares e não justifiquei. Errei por não cumprir com o dever. Agora é merecido ficar na fila”, reconheceu ontem a dama de companhia, Ângela Maria Silva Santos, 47.
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