Sapos, escorpiões e cobras não são preocupação para os moradores da Rua Primeiro Centenário, na Vila São Sebastião. Lá, o incômodo é outro, bem mais pegajoso e gosmento. São os caramujos africanos (Achatina fulicaque), que invadiram as casas. Desde janeiro, a catadora de lixo Ilma Euripa Cáceres, 58, vem tentando se livrar dos moluscos à sua maneira, esmagando e jogando-os fora. "Parece que quanto mais mato, mais eles aparecem".
Os vizinhos também reclamam da invasão dos caramujos, mas Ilma é a mais prejudicada. Ela mora com o filho, a nora e dois netos em uma casa ao lado de um terreno baldio tomado por matos e uma vala. Basta chover para os bichos saírem em busca de abrigo. A preocupação de Ilma é com sua neta de apenas dois anos. Ela teme que a criança contraia alguma doença. "Dizem que esses bichos transmitem parasitas que causam um monte de coisas no organismo".
Entre as doenças causadas pelo caramujo, estão meningite e perfurações abdominais como apendicite. Os sintomas são dor abdominal, febre prolongada, anorexia, vômito, dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso. A Vigilância Sanitária não tem registros de casos da doença, mas orienta as pessoas a acionarem os agentes de vetores em casos de aparecimento de caramujos. "Não é bom as pessoas pegarem na mão sem uma proteção", disse Fernando Baldochi, chefe da Vigilância Municipal em Saúde.
Ele ensina a população a matá-los de maneira correta. "O ideal seria esmagá-los e colocar cal, se possível fogo. Não se pode apenas matar e enterrar. Ele pode ter ovos que vão acabar dando origem a mais caramujos".
Os caramujos africanos não irritam apenas os moradores da Vila São Sebastião. Desde 2005, bairros como Jardim Alvorada, Aeroporto, Palma, Paulista, Paulistano I e II, Jardim Barão, Centro e Jardim Ângela Rosa já registraram casos de infestação.
Na Vigilância Ambiental, no entanto, não há registros do número de pessoas que pedem ajuda para combatê-los.
ORIGEM
O caramujo africano teria sido trazidos da África para o consumo humano. Seria uma alternativa mais barata aos escargots (iguaria culinária apreciada pelos franceses). Não deu certo e eles acabaram soltos na natureza. Como não possui predadores naturais, prolifera-se de forma descontrolada.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.