Uma garrafa de pinga, um cachorro vira-lata, olhos vermelhos, roupas sujas e um sorriso cansado e sem esperança. Esse é o cenário que se repete em praças, bancos e esquinas que servem de lar para os moradores de rua em Franca.
A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social quer mudar essa realidade e, para isso, reforçou o acompanhamento desses moradores de rua. O Abrigo Provisório formou uma equipe de dois psicólogos, duas assistentes sociais e uma terapeuta ocupacional que está estruturando o trabalho e deve começar as visitas na semana que vem.
O secretário de Desenvolvimento Humano e Ação Social, Roberto Nunes, afirma que não há como fazer uma estatística do número exato de moradores de rua na cidade. “O que temos é o cadastro de cerca de 70 pessoas que foram atendidas pela equipe da secretaria. O número de moradores varia muito e nem sempre podemos confiar nas informações que essas pessoas nos passam”.
Nunes explica que o atendimento está sendo aprimorado com mais rigor. Os pontos da cidade citados pelo secretário com mais incidência são as praças da Igreja São Judas Tadeu e do Cemitério da Saudade e em frente ao Parque de Exposições “Fernando Costa”. “Estamos fazendo um acompanhamento mais de perto desses moradores para traçarmos um mapa.
Procuramos identificar caso a caso e dar o acompanhamento correto. Para os migrantes que querem voltar para a cidade de origem, nós fornecemos a passagem. Mas existem aqueles que não querem ajuda e não temos como obrigá-los a ir para o Abrigo Provisório”.
O grande motivador da resistência desses moradores de rua a aceitarem ajuda é a pinga. O administrador do Abrigo Provisório, Adair de Carvalho Costa, conta que no local é oferecido pernoite, alimentação, banho e artigos de higiene. Mas existem algumas normas que precisam ser seguidas. “Como não pode beber, muitos não ficam aqui porque não querem parar como vício. O cidadão tem direito de ir e vir, oferecemos assistência mas não podemos obrigá-los a nada”.
FALTA DE PERSPECTIVA
Na pracinha da Igreja São Judas Tadeu, na Vila Nova, vivem quatro homens, o Tiquinho (o cão vira-lata) e a garrafa de cachaça há cerca de 45 dias. Cléber Moraes Fernandes, um dos “moradores”, tinha esposa e três filhos. Foi expulso de casa por beber demais. “Eu já fiquei internado em uma casa de recuperação. Mas quero ajuda para ser internado de novo. Eu sei que eu preciso sair dessa vida. Já estou todo inchado de tanto beber”.
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