A cada ano tornam-se mais violentas e ameaçadoras as manifestações sobre o dito massacre de Eldorado do Carajás, onde 19 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) morreram, no dia 17 de abril de 1996, ao enfrentarem a polícia que os foi retirar da Rodovia PA-150, onde interrompiam o tráfego. Em nome do ativismo social, invade-se repartições e propriedades privadas sem que nada aconteça aos invasores. E a impunidade os torna mais e mais ousados, pois têm a certeza de que nada pagarão pelos crimes e danos que cometem sob a bandeira de um movimento social de finalidade obscura.
O verdadeiro massacre de Eldorado foi aquele em que os manifestantes impediam a circulação de veículos pela estrada, invadiam e saqueavam propriedades, prejudicando terceiros que nada tinham a ver com suas reivindicações. A polícia foi chamada apenas para cumprir uma ordem judicial de desbloqueio da rodovia, sendo recebida de forma hostil por um grupo numericamente maior de rebelados, armados com facões, foices, pedras e pedaços de pau. O quê se esperava do confronto? Que os policiais, armados e no cumprimento do dever legal e profissional, saíssem correndo? Que descumprissem a missão, cedendo à desordem, como ultimamente têm feito os governos?
Há que se compreender que a polícia é o último recurso. Quando se faz necessária a sua intervenção, ninguém pode prever o resultado, podendo ocorrer baixas tanto de um lado quando do outro. Também não se pode ignorar que o policial não age por conta própria e a responsabilidade pelos resultados de sua ação, pelo menos moralmente, é de quem o acionou, não diretamente da tropa, encarregada apenas da execução da ordem.
Quando a polícia chega a um local onde outras instâncias da sociedade já atuaram e não conseguiram resolver o problema, todos têm de estar conscientes de que se houver resistência o confronto será inevitável porque falharam todas as tentativas de negociação. A única forma de não ocorrer problemas maiores é pela obediência dos rebelados à ordem de retirada. Detalhe importante: quando a força policial emite uma ordem, o está fazendo em nome do Estado, para garantir a sua autoridade e integridade. Então, é melhor obedecer e, no caso de discordância, recorrer à justiça. Todo aquele que enfrenta a determinação policial, sem qualquer dúvida, sofre as conseqüências, muitas vezes graves.
O MST e seus assemelhados que invadem, esbulham e saqueiam, não querem reforma agrária ou qualquer outra conquista social. Esse discurso é apenas pretexto para a desordem. Na sua maior parte são compostos pelas "viúvas" do guevarismo que hoje, sabe-se lá a soldo de quem, promovem a baderna de norte a sul do país. Os governos federal e estaduais e o poder judiciário, precisam usar os rigores da lei para não perderem de vez o controle. Nunca, num passado de décadas, a autoridade foi tão desrespeitada continuamente como agora. Isso precisa acabar!
TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo(APOMI)
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