Franca tem a pior média salarial do Estado


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Funcionários trabalham em uma fábrica de calçados em Franca: salário na indústria de transformação em Franca está abaixo das médias estadual e nacional
Funcionários trabalham em uma fábrica de calçados em Franca: salário na indústria de transformação em Franca está abaixo das médias estadual e nacional
Franca tem o pior salário médio do Estado de São Paulo entre as 23 cidades com 250 mil habitantes ou mais. O dado é do Sistema Público de Emprego e Renda, do Ministério do Trabalho, que analisou o valor pago aos trabalhadores registrados nestes municípios durante o ano de 2005. Na média, os mais de 67 mil trabalhadores francanos recebem um salário mensal de R$ 854,77, bem inferior às médias nacional (R$ 1.135,85) e estadual (R$ 1.366,84). A culpa para um salário médio tão baixo é da indústria calçadista, que sozinha responde por quase metade dos empregados registrados na cidade e paga um salário médio que não ultrapassa os R$ 720 mensais. Para se ter idéia, o piso médio no Estado para um trabalhador da indústria é de R$ 1.590,48, mais que o dobro do francano. Para o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro, a conclusão do levantamento não traz nenhuma novidade. "Há anos, estamos alertando a todos para esse problema. Faz tempo que o salário pago pela indústria vem encolhendo". O pespontador Célio Esteves Sobrinho sabe bem o que é isso. Ele ganha um pouco mais que a média paga pelas indústrias de Franca, mas considera seu salário longe do ideal. "É muito pouco. A família cresce, mas o salário não acompanha. Gostaria de ganhar melhor". O que Célio não sabe é que a principal razão para que seu salário seja mais baixo do que o dos outros profissionais do Estado está no tipo de produto fabricado na cidade: no caso, o calçado. "O sapato não tem valor agregado alto (capacidade de gerar riqueza). Seu preço de mercado é pequeno perto de outros bens industrializados. O lucro também não é grande. Logo, remunerar de forma satisfatória o empregado, fica mesmo difícil", disse o professor de economia e pesquisador do Instituto de Pesquisas do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), Helio Braga. Junto com o valor agregado, está a baixa qualificação exigida pela indústria. "Como para produzir calçado não é necessário grande especialização, a remuneração acaba sendo menor mesmo", diz Braga. Para piorar, o setor calçadista vive hoje uma crise provocada pela concorrência chinesa e a queda no dólar que afetam os negócios fechados dentro e fora do País. "Estes fatores conjunturais forçam o empresário a cortar custos para continuar competindo e produzindo, mexer nos gastos com o salário dos trabalhadores foi a alternativa", avalia Braga. Outro fator que influi no baixo salário é a grande oferta de mão-de-obra disponível. Como muitos trabalhadores disputam uma mesma vaga, o valor pago para o felizardo é menor. Sempre haverá algum empregado disposto a trabalhar pelo salário menor oferecido. O contrário acontece no município com melhor média salarial do Estado. Em São José dos Campos, a média paga aos trabalhadores é de R$ 1.913,03. Como em Franca, lá a indústria também é a que mais emprega. A diferença é que o principal produto fabricado em São José são os aviões que, além do elevado valor agregado, ainda exigem um alto grau de especialização dos envolvidos em sua fabricação. Como poucos trabalhadores conseguem atingir este nível, a remuneração paga é alta. A média para a indústria naquela cidade é de R$ 3.227,96. QUALIDADE DE VIDA Apesar dos baixos salários, Franca tem um bom índice de qualidade de vida. Como isso se explica? Para o professor Hélio Braga, o motivo é a forte rede de proteção social da cidade. "Aparentemente temos indicadores sociais bons por causa dos serviços sociais, inclusive privado e de entidades não governamentais, que conseguem amparar os efeitos nocivos da situação."

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