O caseiro Luiz Carlos Grandini é casado e pai de três filhos. Ele não tinha passagens anteriores pela polícia. Estaria trabalhando como armeiro há pouco mais de dois anos. O dinheiro arrecadado ajudaria a complementar a renda mensal. Durante todo o tempo em que permaneceu na delegacia, demonstrou tranqüilidade. Sabia da ilegalidade da profissão e dos riscos de ser preso.
Luiz Carlos só não colaborou na hora de explicar a origem da armas. Questionado a respeito, alegou que apenas pegava as espingardas para consertar. “Sempre quem deixa as armas aqui são fazendeiros. Sei que é uma atividade ilícita, mas é meu ganha pão, né?”. Usaria as centenas de munições para “treinar”.
Segundo o armeiro, o preço oscila de R$ 40 a R$ 100, dependendo do serviço solicitado pelo cliente. “Dá para tirar uma média de R$ 600 por mês. O dinheiro é somado ao salário que recebo como caseiro na chácara”. Ele negou trabalhar para bandidos e disse que a função de consertar armas também é exercida por outras pessoas na cidade.
Com uma naturalidade incomum, admitiu que esperava ser preso. “Já imaginava, sim. Sei que estava fazendo coisa errada, mas precisava do dinheiro. É aquele negócio, né? O ganha pão, filho. Não tô roubando, tô trabalhando. Cada um tenta ganhar a vida de um jeito. A polícia me descobriu por causa de denúncia anônima. Acho que foi algum inimigo”.
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