Com os pés em carne viva, homem espera por auxílio


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Orbino Rogério Gonçalves tem úlcera nos dois pés, é ajudado por vizinhos mas não segue tratamento
Orbino Rogério Gonçalves tem úlcera nos dois pés, é ajudado por vizinhos mas não segue tratamento
Moscas voam às dezenas sobre os ferimentos nos pés, que, em carne viva, exalam um cheiro fétido que incomoda os vizinhos. As poucas roupas ficam penduradas na parede e guardadas em sacos plásticos. O fogão velho funciona com o gás doado. A comida e o aluguel são pagos pelos vizinhos. Essa é a descrição de Orbino Rogério Gonçalves, 49, morador na Rua Antonio Alves da Silva, 3478, na Vila Exposição. Diabético, seus pés estão com úlcera, feridas abertas que juntam moscas por toda a “casa”. Gonçalves não tem renda e mora numa garagem, sem água, sem banheiro e apenas uma janela pequena. Ele perdeu o benefício que recebia do governo por não fazer o acompanhamento médico freqüente. Com a ajuda de amigos, ele regularizou sua situação e deve voltar a receber o auxílio-doença de um salário mínimo em um mês. A situação de Gonçalves poderia ser diferente. Desde quando sua mulher morreu, há um ano, ele deixou de fazer o tratamento correto da diabetes. “Eu era faxineiro, mas, depois que minha mulher morreu, eu fiquei com depressão. Agora faço pás de lixo de latão porque não posso andar”. Paulo Roberto Covas Silva, proprietário da Casa de Carnes Destak, localizada a dois quarteirões da garagem de Gonçalves, ajuda o senhor há sete anos. “A família dele também é pobre e nem vem visitá-lo. Os cinco filhos dele, de 19 a 9 anos, moram em um orfanato”. O vizinho conta que a comunidade já se ofereceu para bancar uma casa de repouso para que Gonçalves seja mais bem cuidado mas ele não quis. “Ele é teimoso e já se acomodou com nossa ajuda”. Gonçalves conta que seu maior sonho é voltar a ter uma casa. “Assim que eu voltar a receber meu dinheiro, quero sair dessa garagem”.

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