Sob artilharia pesada dos vereadores, inclusive da base governista, e forte mobilização dos camelôs, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) pode recuar e retirar o projeto de lei que visa a cassar licença de funcionamento para que vender produtos irregulares (piratas) na cidade, previsto para ser votado hoje, na sessão da Câmara. Uma fonte ligada diretamente a Rocha afirmou ao Comércio, sob condição de anonimato, que o prefeito sentiu a pressão e retirará o projeto, apelidado de “anti-camelô”, momentos antes de este ir ao plenário.
Para conseguir esse objetivo, os camelôs estão se articulando. Uniram-se com comerciantes informais espalhados pelos bairros, principalmente de regiões populosas, como Complexo Aeroporto e Leporace, e fizeram um abaixo-assinado, que será entregue hoje aos vereadores. “Somamos aproximadamente cinco mil assinaturas não só dos trabalhadores, mas também de nossos clientes. Agora, é com os vereadores e com o prefeito. É o peso de cinco mil votos”, disse Maurício Bezerra de Araújo, que tem barraca há 12 anos na Praça Dom Pedro I.
O projeto não é criticado somente pelos camelôs. Até mesmo vereadores do partido do prefeito, como Marcelo Valim e Jepy Pereira, não se cansam de falar que votarão contra o projeto. “Não faz sentido. Tem muitos outro problemas para resolver na cidade. E outra, quem não tem um CD ou qualquer outro produto pirata? Eu tenho. Todo mundo tem”, desafia Valim. Jepy concorda. “O prefeito pode ter até suas razões, mas eu votarei contra”, disse.
As razões pelas quais o prefeito apresentou o projeto ainda estão mal explicadas. Rocha alega que o objetivo seria combater o contrabando na cidade, mas outras versões, inclusive políticas, circulam pelos bastidores. Uma delas razões seria o apoio dado pela maioria dos comerciante ao candidato do PT, Cassiano Pimentel, nas eleições de 2004, em detrimento ao tucano. Outra, a proximidade que Rocha tem com o lojistas, que alegam ter suas vendas prejudicadas pela atividade dos informais. “Queria entender a razão de nos perseguir. Estamos trabalhando, não somos bandidos”, disse Araújo.
Rocha não foi encontrado para confirmar se retirará ou não o projeto. Ontem, passou a tarde em Uberaba (MG), onde foi fazer a entrega do caminhão que doou ao Corpo de Bombeiros daquela cidade. O chefe da Divisão de Comunicação, Marcelo Facuri, que esteve no evento com o prefeito, disse que não há qualquer definição oficial. “Esse assunto só será resolvido amanhã (hoje) antes da sessão”.
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