Há mais de três meses não chove forte em Franca, mas os temporais que a cidade enfrentou no início do ano ainda são motivo de pesadelos para duas famílias da Rua João Oliveira Pimenta, no Jardim Paulistano l. Ambas temem perder suas casas.
O drama começou no dia 22 de janeiro, quando um muro de arrimo desabou, levando com ele o quintal de uma das casas e abalando as estruturas da varanda e de um quarto na outra residência. “Ouvi um estralo e fui até a porta ver o que estava acontecendo. Não acreditei. Quando olhei, não tinha mais muro e nem quintal. Graças a Deus não tinha ninguém lá na hora do desabamento”, disse Odirsa Teodoro Barbosa.
Sua vizinha, a confeiteira Maria Lúcia Nassif, não perdeu o quintal, mas teme que sua varanda e um dos quartos de sua casa desabem a qualquer momento. “Os bombeiros interditaram essa parte do meu imóvel. Ninguém pode circular por esses cômodos por causa do risco de acidentes”.
Engenheiros da Prefeitura vistoriaram as duas casas, mas, até agora, nenhum laudo foi repassado às famílias com o resultado do exame. Na época em que o muro desabou, Odirsa ficou duas semanas na casa de um vizinho. Maria Lúcia se hospedou por dois meses em casas de parentes. Depois, mesmo com o risco, resolveram voltar para seus imóveis “A casa é nossa, não dá para ficar em abrigo, nem incomodando parentes. Nós não podemos alugar um outro imóvel, por isso pedimos ajuda à Prefeitura, mas ninguém fez nada. Eles vêm aqui, tiram foto e só”, disse Maria Lúcia.
Quem observa a situação se assusta. Não é preciso ser engenheiro para notar o risco que as famílias correm. Na casa de Maria Lúcia, a reportagem não conseguiu passar da porta da cozinha.
Foi preciso observar de longe porque o piso poderia ceder com o peso de uma pessoa. Já na casa de Odirsa, a escada que descia para o quintal hoje não existe mais.
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Sem poder utilizar varanda e quintal, Odirsa e Maria Lúcia passaram a lavar roupas na pia da cozinha e banheiro. Para secar as peças, elas têm que recorrer aos vizinhos. “Não sei até quando vamos conseguir viver assim com medo e sem usufruir do que é nosso”, reclama Maria Lúcia.
Na Prefeitura, nem a Secretaria de Planejamento Urbano, nem a Secretaria de Serviços admitiram a responsabilidade do município em arcar com os prejuízos dos moradores. O secretário de Planejamento Urbano, Wilson Teixeira, disse que todos os estragos em imóveis ocasionados pela chuva e de responsabilidade da Prefeitura foram resolvidos. “Consertamos casas no Palma e até mesmo no Paulistano. Se nessas casas citadas a situação continua, é porque verificamos que não é da nossa competência resolver o problema”, disse, acrescentando que a secretária Valéria Marson, da pasta de Serviços, encaminhou um engenheiro ao local na semana passada a pedido dos moradores.
Procurada pelo Comércio, Valéria afirmou que as obras devem ser feitas pelos proprietários dos imóveis, mas que a Prefeitura ajudará as famílias. “O muro de arrimo desabou por falhas na construção. A prefeitura nada tem a ver com isso. De qualquer forma, ajudaremos no que for preciso”.
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