Golpe do ‘falso seqüestro’ apavora vítimas em Franca


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Nesta semana, Solane Pereira recebeu ligação de bandidos dizendo que haviam seqüestrado sua filha Joyce. "Eu tinha certeza que era a voz dela. Quase sofri um ataque do coração"
Nesta semana, Solane Pereira recebeu ligação de bandidos dizendo que haviam seqüestrado sua filha Joyce. "Eu tinha certeza que era a voz dela. Quase sofri um ataque do coração"
Na manhã de segunda-feira, a aposentada Solane Pereira da Silva, 47, recebeu uma ligação a cobrar em sua casa, no Jardim Riviera. Do outro lado da linha, a voz de uma pessoa que ela acreditava ser sua filha de 13 anos. "Mãe, mãe, eles me pegaram. Eu fui seqüestrada. Eles vão me matar. Me ajuda". Em seguida, um homem entrou na conversa e exigiu R$ 50 mil como pagamento de resgate. "Se não arrumar a grana, vamos matar a sua filha". A mulher entrou em estado de choque e saiu desesperada para pedir dinheiro emprestado a um vizinho. Familiares descobriram que a filha dela estava na escola. Solane escapou por pouco do golpe do falso seqüestro, uma nova modalidade de crime que está aterrorizando e matando vítimas por todo o País. Pelo menos 50 ocorrências do tipo são registradas todos os dias em São Paulo. Três mulheres morreram no Estado em decorrência de complicações cardíacas provocadas pelo choque ao atenderem os telefonemas. Em apenas uma semana, foram três casos em Franca. Na quarta-feira, um homem de 54 anos, morador do Jardim Petráglia, caiu na conversa e gastou R$ 460 na compra de cartões telefônicos para os golpistas. Ele havia recebido a ligação de bandidos dizendo ter seqüestrado o filho dele, morador de Jaboticabal (SP). "As pessoas não desconfiam que a ligação parte de um criminoso que passa o dia com celulares, discando a cobrar em números aleatoriamente. Antes de aplicar o golpe, eles ligam na casa das vítimas inventando alguma história e conseguem informações como nomes ou veículos da família. Por isso, a importância de nunca fornecer dados pessoais para estranhos", orienta o delegado Wanir José da Silveira Júnior. O número de casos desse novo golpe na cidade pode ser muito maior, já que nem todas as pessoas que recebem a ligação procuram a polícia, como foi o caso de um funileiro que recebeu uma ligação na madrugada de quinta-feira. Para dar mais credibilidade ao golpe, os criminosos usam gravações ou põem pessoas ao vivo simulando a voz de um suposto parente mantido refém. Como a maioria das ligações é feita durante a madrugada, a vítima acorda assustada. Abalada com a notícia, ela entra em pânico e acredita mesmo ter ouvido a voz do parente. "Eu tinha certeza que era a minha filha que estava falando comigo. Tenho problema de coração e quase tive um ataque. Mesmo após receber a informação de que ela estava bem na escola, só sosseguei quando fui lá e consegui abraçá-la", contou Solane. Os golpistas não dão chances de a pessoa reagir. Durante todo o tempo, exige que a vítima não desligue o telefone para evitar que se comunique com a polícia ou descubra que o familiar não foi seqüestrado. Normalmente, os falsários usam celulares clonados ou com chips de outros Estados para dificultar sua localização. "Estamos diante de um crime de difícil investigação. A pessoa jamais deve fazer qualquer tipo de pagamento ou passar número de cartões de telefone. Em caso de dúvida, procure a polícia para que possamos fazer as orientações necessárias", finaliza o delegado Wanir.

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