O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) desafiou os vereadores e deve reapresentar, na sessão de terça-feira da Câmara, o projeto apelidado de “anticamelô”, que prevê a cassação da licença de comerciantes, formais ou informais, que negociarem produtos sem nota fiscal. A insistência do tucano pode colocá-lo em rota de colisão com o Legislativo, inclusive com sua base, que criticou abertamente o projeto.
Para piorar, na última segunda-feira Rocha classificou como “defensores do contrabando”, no programa Bom Dia Prefeito, veiculado pela rádio Hertz, os vereadores contrários ao projeto.
Chocou-se de frente com Marcelo Valim e Jepy Pereira, ambos do PSDB, seu partido. Valim foi quem ficou em posição mais desconfortável. Chegou a prometer, na tribuna, que Rocha retiraria o projeto, o que não aconteceu. “Não vou discutir a opinião do prefeito, mas asseguro que, se esse projeto for para votação, meu voto será não”.
Jepy, líder de Rocha na Casa, foi no embalo de Valim e antecipou, também, o seu voto. “Não faz sentido criar uma legislação que já existe em âmbito federal e estadual. Temos outros problemas. Meu voto será contrário”, disse. Gilson Pelizaro (PT) foi quem mais atacou o projeto de Rocha. “Com tanta coisa para se fazer na cidade o prefeito prefere atacar quem está trabalhando? É uma barbaridade”, disse.
Rocha pode, porém, retirar o projeto da pauta durante a sessão, antes da votação. Mas, para Pelizaro, somente a intenção do prefeito poderá lhe custar caro. “Ele já sofreu um grande desgaste político com isso e, se ele insistir na idéia e ninguém der para trás, ele sofrerá uma derrota feia”, disse.
Estimativas extra-oficiais dão conta de que pelo menos mil pessoas vivem do comércio informal, em barracas no Centro e Estação ou pequenos pontos comerciais na periferia. A renda média dessas pessoas seria de R$ 1 mil reais mensais.
CONTAS REJEITADAS
Outra atração da sessão será a discussão sobre a rejeição das contas da Prefeitura em 2004, último ano de mandato de Gilmar Dominici (PT). De autoria da comissão de Legislação, Justiça e Redação, o tema, como todos os assuntos que envolvem diretamente o ex e o atual prefeitos, deverá gerar intensos debates entre as bancadas tucana e petista.
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